Mestres do rock nacional: Paralamas do Sucesso

Por Marcella Matos

Esta postagem será a primeira de muitas que virão; afinal de contas são muitos nomes que colaboraram para o cenário do rock nacional, principalmente na década de 80, período de expansão do gênero em terras tupiniquins, por ora impulsionado pelo quadro político da época, afinal de contas o Brasil caminhava para a tão aguardada democracia que viria nos próximos anos.

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Foi a partir do primeiro Rock in Rio que o Brasil passou a ser circuito de grandes eventos internacionais; bandas como Scorpions, Queen, Iron Maiden, Whitesnake, e  outros grandes nomes tocaram neste evento nacional de grande magnitude para época. Os meios de comunicação passaram a dar mais espaço e atenção para bandas nacionais de rock a partir de então.

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Para esta singela primeira homenagem escolhi os Paralamas do Sucesso por se tratar de uma banda ainda na ativa, e de grande importância na música brasileira. Referência musical, é possuidora de belíssimas composições que marcaram uma geração de jovens sedentos por liberdade de expressão.

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Amigos de infância em Brasília, Hebert Vianna e Bi Ribeiro formaram os Paralamas em meados de 1977, ambos já residindo na cidade do Rio de Janeiro. A cena, até então dominada pelas bandas cariocas, passou a ter presença constante do “pessoal da capital”. João Barone entraria na banda cinco anos mais tarde, substituindo o então baterista, Vital Dias, em uma apresentação.

A partir do sucesso gerado pela música “Vital e sua moto”, surge o convite para a gravação do primeiro disco, intitulado Cinema Mudo.

 

 

Após o lançamento do segundo álbum, O Passo do Lui (1984), disco repleto de sucessos como: Me Liga, Meu Erro, Óculos… Herbert e companhia se apresentaram no primeiro Rock in Rio (1985), conquistando a simpatia do público com uma sonoridade bem única para as bandas nacionais da época, afinal de contas eles mesclavam o   rock e o pop tradicional com elementos da música caribenha e jamaicana,  introduzindo instrumentos da família dos metais.

Data da foto: 1985ApresentaÁ„o do "Paralamas do Sucesso" no Rock In Rio.

O show deles foi considerado um dos melhores do festival.

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Com o disco Selvagem? Os Paralamas atingem a vendagem de 700.000 mil cópias, alcançando o topo das paradas com as músicas “Alagados” e “A Novidade” – Esta última em parceria com Gilberto Gil. A partir de então alcançaram plateias cada vez maiores ao redor do mundo.

 

Voz ativa de sua geração, Os Paralamas lançaram “Bora Bora”, disco de 1988, composta por faixas de cunho político e social; lembrando que o país na época passava por profundas transformações com o fim da ditadura militar, e a chegada da tão aguardada democracia. Logo em seguida viria Big-Bang (1989), disco repleto de canções sobre relacionamentos; a inspiração era a fim do namoro de Herbert Viana com Paula Toller, vocalista do Kid Abelha. 

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“Os Grãos”, disco de 1991, e “Severino”, de 1994, obtiveram críticas negativas por parte da impressa; o disco também não foi bem recebido pela maioria dos fãs, que estranharam a sonoridade alcançada pela banda, aberta a experimentações musicais; houve a inclusão de teclados, programações eletrônicas e samples.  Enquanto que no Brasil os discos não foram bem recebidos, na Argentina Os Palamas do Sucesso simplesmente estouraram. Briam May, guitarrista do Queen, participou da faixa “El Vampiro Bajo El Sol” , uma das faixas do disco“Severino”.

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Com o disco  ao vivo “Vamo Batê Lata” que era acompanhado de um EP com quatro faixas inéditas, dentre elas “Uma brasileira e saber Amar”, Os Paralamas retornaram novamente ao centro das atenções; este disco vendeu nada menos do que 900 mil cópias – maior vendagem da banda.

Acústico MTV Paralamas do Sucesso, lançado em 1999, contou com faixas menos conhecidas – o famoso lado b – e teve como convidado Dado Villa-Lobos (Legão Urbana).

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O trágico acidente de ultraleve que marcaria para sempre a vida de Herbert Viana ocorreu em fevereiro de 2001; A banda já tinha composto, antes do acidente, músicas para o próximo disco, “Longo caminho”, que soaria mais pesado, cru e direto; Entretanto, o álbum só  viria a ser  lançado em 2002.

Após sua recuperação, Herbert e companhia gravam o CD e DVD “Uns Dias” com a participação de muitos amigos, entre eles Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura.

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 Ainda caminhando nesta sonoridade mais direta e sem firulas, “Hoje” (2005) contou novamente com o auxílio de Andreas Kisser, na faixa “Ponto de Vista”.

 

Para comemorar a longa jornada de 25 anos de estrada, a banda se juntou aos Titãs numa série de shows que resultaria na gravação do CD e DVD Paralamas e Titãs: Juntos e Ao Vivo (2008)

 

Brasil Afora (2009), que contou com a participação de Carlinhos Brown e Zé Ramalho, proporcionou aos Paralamas a gravação do DVD Multishow Ao Vivo Brasil Afora, gravado no espaço Tom Jobim, no Rio e Janeiro, em 2010. Pitty canta na faixa “Tendo a Lua”; outra faixa de destaque é “Mormaço” que conta com a participação de Zé Ramalho.

 

Multishow Ao Vivo Os Paralamas do Sucesso – 30 anos foi gravado em comemoração ao aniversário da banda, em agosto de 2014, repleto de sucessos. Um show emocionante, intimista, que deixa o sabor de quero mais, afinal de contas tudo foi pensado para que o evento se tornasse especial – do lugar às imagens no telão que faziam uma retrospectiva bem dinâmica – no decorrer das músicas – da história da banda. A turnê deu origem a um documentário produzido pelo canal Bis, e conta com depoimentos de muitos amigos angariados ao londo destes 30 anos. Vida eterna aos Paralamas!

Capa

 

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Brasília: Cenário em que o rock ressurge das cinzas

Por Marcella Matos

Com vinte anos de atraso o rock se consagra, finalmente, em terras ‘brasilis’; falo da década de 80, pois, se por um lado o período ainda carregava o peso dos anos anteriores (já que o rock da década de 70, no Brasil, andava meio desmorecido devido ao estouro (e popularidade) de gêneros musicais, como a dance music/discoteca e MPB, que dominava todo o cenário musical da época (e era o que se ouvia constantemente nas rádios e demais espaços); por outro, já se antevia um panorama mais leve, em decorrência do espaço maior de liberdade política, que acarretaria, mais à frente, no fim da ditadura militar. Inúmeras bandas surgiram nessa época, mais precisamente no finalzinho da década de 70, e o embrião do fenômeno (do estouro de bandas de rock) foi Brasília… De lá surgiram grupos que consagraram de vez o rock no Brasil. Mas lembrando que o cenário do rock em Brasília surgiu ainda na década de 60, com bandas como Os Primitivos, Os Reges e Os Infernais. O cenário só viria a se solidificar na década de 80. 

 

As moças e os rapazes de Brasília desfrutavam de uma vida, digamos, de bonanças e regalias, pois a grande maioria eram filhos de professores, desembargadores e diplomatas muito bem-sucedidos); viagens para fora do Brasil eram constantes (principalmente a países onde o Rock efervescia, como a Inglaterra e os Estados Unidos), e de lá traziam os melhores discos de rock, punk e punk rock da época; beberam diretamente da fonte que viriam, logicamente, a influenciá-los.  

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Legião Urbana: Um dos grandes expoentes do rock nacional

A ‘turma da colina’, como eram conhecidos, formariam mais à frente bandas como o Aborto Elétrico, Plebe RudeFusão, 5ª Coluna e XXX; estes jovens se encontravam nas colinas (conjunto de prédios habitacionais, próximo à UnB), onde ‘trocavam figurinhas’ acerca do estilo musical que fervilhava lá fora…

O embrião responsável pelo estouro da cena musical em Brasília, e pelo surgimento de bandas como Legião Urbana e Capital Inicial, foi o Aborto Elétrico, que contava, em sua formação inicial, com Renato Russo (baixo), André Pretorius (guitarra) e Fê Lemos (bateria). Após o sucesso do primeiro show, que correu de boca em boca, a banda conquistou notoriedade e centenas de fãs, que por sua vez formariam bandas também… Iria surgir, desta forma, um cenário musical intenso, caloroso e vigoroso em Brasília.

 Um tempinho depois o Aborto Elétrico encerra suas atividades… Das cinzas do Aborto surgiu o Capital Inicial (com Dinho Ouro Preto como vocalista, que por sinal imitava Renato Russo quando jovem). Em entrevista a Revista Rolling Stone, ele disse: “Sabia que ele [Renato Russo] era melhor do que eu e que nunca seria como ele”. E enquanto isso a Legião Urbana se formava. 

Renato Russo, em um breve período do início dos anos 80, seguiu carreira solo; ele se apresentava sob a alcunha “O trovador solitário”). Algumas músicas do Aborto Elétrico foram divididas entre as duas bandas (Capital Inicial e Legião Urbana); outras foram simplesmente engavetadas… Até o momento em que o Capital Inicial gravou o MTV Especial: Aborto Elétrico, no qual interpretam canções inéditas da extinta banda, como Baader-Meinhof Blues nº1, Construção CivilAnúncio de RefrigerantesLove Song OneHeroínaBenzinaSubmissaHelicópteros no CéuDespertar dos Mortos.

 

 

Em 2012 a Legião Urbana comemorou trinta anos de formação e, entre uma comemoração e outra, dois shows foram realizados ( 29/05 e 30/05); os demais integrantes da banda convidaram o ator Wagner Moura (vocalista da banda Sua Mãe) para ocupar a posição de vocalista da Legião; Wagner cantou juntamente com Marcelo Bonfá, Dado Villa-Lobos e a plateia; o show, transmitido pela MTV, contou com a presença de sete mil pessoas.  Segundo o ator, a noite do show foi a mais emocionante de sua vida. Bonfá e Villa-Lobos enfatizam que tudo não passa de uma homenagem, e que Renato Russo é insubstituível.

 “O rock de Brasília é, sem dúvida nenhuma, um dos maiores acontecimentos da cultura brasileira dos anos 80, e Renato Russo é a expressão maior desse movimento. Assim como o mundo não seria o que é se não fosse Shakespeare, minha geração não seria o que é hoje se não fosse a Legião Urbana”, Disse Wagner Moura.

Muitas bandas que fazem parte da história do rock nacional, cuja importância é imensurável para o cenário atual,  saíram de Brasília: Cássia Eller, Paralamas do Sucesso, Raimundos, Móveis Coloniais de Acaju… Perante a importância de Brasília para o desenvolvimento do rock nacional, já foram lançados muitos materiais sobre o tema. Enfatizo o livro O diário da turma 1976 – 1986: a história do rock de Brasília, escrito por Paulo Marchetti e o documentário Rock Brasília – Era de Ouro, cuja direção focou a cargo de Vladimir Carvalho. 

 

 

O rock de Brasília representou toda uma geração e, sem dúvida, seus bons frutos foram colhidos ao longo dos anos… Afinal de contas o Brasil passaria por graves crises, anos mais tarde, no qual jovens famintos por liberdade e insatisfeitos com os rumos tomados pelo país (e pela falta de ética na política) tomariam as ruas.. Basta ligarmos o rádio para comprovarmos o quão longe a Legião Urbana chegou, pois não há um domingo que não toque uma música da banda, uma notícia de corrupção que não nos faça lembrar  Que País é esse? ; sua  música é atemporal e permanecerá para sempre em nossas memórias. 

 

LETRA DE FAROESTE CABOCLO:

E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem
Ia perder a viagem mas João foi lhe salvar:
Dizia ele – Estou indo pra Brasília
Nesse país lugar melhor não há
Tô precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar

O João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto central…

 

MODO DE VIDA DOS JOVENS DE BRASÍLIA:

PRESTE ATENÇÃO NA LETRA DO VÍDEO: O DIA A DIA DA TURMA DA BRASÍLIA

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