2012: Ano do fim do mundo? Não, ano das comemorações!

Por Marcella Matos

30 anos de carreira dos Titãs:

 Titãs é uma das grandes bandas do cenário nacional, e em comemoração aos 30 anos de carreira saíram em turnê com o disco Cabeça Dinossauro. Este disco clássico, lançado em 1986 e o terceiro da carreira, foi o escolhido para ser tocado na íntegra pela sua importância para o grupo. Os acontecimentos ocorridos com os integrantes da banda, como a prisão por porte de heroína de Tony Belllotto e Arnaldo Antunes, por exemplo, foi fundamental para “mudança” sonora da banda; o disco é marcado por um som mais pesado e críticas à sociedade. 

Titãs

Continuando as comemorações, o disco foi relançado com uma faixa inédita  (tinha ficado de fora do disco de 86): Vai Pra Rua.    

Cabeça Dinossauro

Dentre os grandes sucessos do disco estão: Homem primata, Bichos Escrotos, Polícia, etc. 

Titãs

 

50 anos de carreira dos Rolling Stones:

Há 50 anos, mais exatamente no  dia 12 de julho de 1962, subia aos palcos pela primeira vez os Rolling Stones. O local escolhido para estreia foi o Marquee Club.   

Rolling Stones

Marquee Club, em Londres

Para celebrar a importante data foi inaugurada a exposição The Rolling Stones: 50 na galeria Somerset House com entrada franca, e que trará fotos inéditas da banda. Um documentário sobre a banda será lançado no cinema e um livro com o mesmo nome da exposição, no qual 700 imagens ilustrarão a história da banda. 

Rolling Stones na galeria Somerset House

Não é para qualquer banda tal proeza de se chegar a meio século de carreira, e o Rolling Stones o fez com admirável respeito.   “É um sensação realmente boa. É surpreendente. Parece mesmo ser bastante tempo, mas estou bem feliz com isto”.  Disse Mick Jagger em entrevista à Rolling Stone. 

Mick Jagger

Há promessas, feita pelos integrantes, de que as comemorações dos 50 anos serão realizadas em 2013 (ano em que Charlie Watts completa 50 anos de banda), entretanto, uma nova turnê ainda não foi confirmada.

Rolling Stones

Logo Comemorativo Rolling Stones 50 anos

 

30 anos de Blitz:

Há exatamente 30 anos o grupo Blitz,  grande sucesso dos anos 80, liderado por Evandro Mesquita, lançava a música Você Não Soube Me Amar.

Blitz no circo voador em 1982

Você Não Soube Me Amar foi de tal importância para o sucesso do Blitz e do rock dos anos 80 que sua história poderá ser conferida no documentário Mais de Três Foi o Diabo Que Fez.

Sobre a música, Zeca Proença (um dos autores do hit) disse – em entrevista ao Estadão – “Foi uma música criada em meio àquela cultura de surfe dos anos 80”.   

As cores te lembram alguma coisa?

Em comemoração a banda saiu em turnê, e pela primeira vez tocou músicas de outros artistas, como de Bob Marley e Rolling Stones.

  35 anos sem Elvis Presley:

*OBS: 2012: Ano de homenagens a Elvis!

Há exatamente 35 anos o mundo perdia um dos maiores ídolos de todos os tempos. Elvis partiu no dia 16 de agosto de 1977 em consequência de um ataque cardíaco. 

Elvis Presley

Homenagens não faltam para o rei do rock; a já conhecida Elvis Week acontece todos os anos nos Estados Unidos, semana em que o cantor recebe homenagens dos fãs, com concurso de sósias (Ultimate Elvis Tribute Artist), shows, tributos… Este ano participaram das homenagens sua viúva Priscila e sua filha Lisa Presley.

As homenagens não param por aí; virá para o Brasil The Elvis Experience, exposição que reunirá mais de 500 objetos, fotos, etc. da mansão Graceland, local onde morou o cantor. A exposição poderá ser conferida em setembro no shopping Eldorado, em São Paulo. Outra novidade é o Elvis Presley in Concert, show em que Elvis poderá ser conferido ao vivo e a cores (com auxílio da tecnologia, mais especificamente uma projeção) pelos brasileiros no mês de outubro. Músicos que tocaram com o cantor participam do concerto.

Para fechar com chave de ouro as homenagens ao rei do rock foi lançado a coletânea I Am Na Elvis Fan, na qual todas as músicas  foram selecionadas pelos fãs através de uma votação. Além da coletânea, foram lançados álbuns digitais no iTunes.

 

40 anos de Acabou Chorare dos Novos Baianos:

O disco em questão foi lançado em 1972, e foi o segundo da banda. A grandiosidade do disco encontra-se na versatilidade de estilos musicais (mistura do rock and roll e elementos da música brasileira). 

Acabou Chorare foi eleito o melhor disco brasileiro de todos os tempos pela revista Rolling Stone Brasil.

Para as comemorações da data, Moraes Moreira e seu filho, Davi Moraes farão apresentações pelo Brasil interpretando todas as canções do disco. Um DVD do show foi gravado em junho no Circo Voador.

 

 Kid Abelha 30 anos: 

O Kid Abelha é uma das bandas mais queridas do Brasil, ao todo são nada menos que 30 anos de estrada e muito bem vividos. 

 O Kid Abelha já se chamou Kid Abelha e os Abóboras selvagens.

Para comemorar a data, o Kid Abelha gravou um DVD (Multishow Ao vivo – Kid Abelha 30 anos) no Citibank Hall, Rio de Janeiro, com a presença de ilustres convidados, como Herbert Viana, vocalista dos Paralamas do Sucesso, Ivo Meirelles e a bateria da Mangueira.

Um documentário contando a trajetória do grupo será exibido no canal Multishow. 

 

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Rock em terras tupiniquins: Nem só de axé vive a Bahia

O Rock na Bahia não é terra do bloco do eu sozinho, nela, avista-se excelentes bandas, das mais variadas vertentes do rock, entretanto, o que realmente falta neste cenário musical é certo apoio para os espaços dos eventos (e os eventos também, claro) e até mesmo para as próprias bandas; muitas, para ter o reconhecimento do seu trabalho arrumam as malas e se mudam para São Paulo; mas este quadro está mudando aos poucos, já que nomes como Pitty, Cascadura, Vivendo do Ócio, e outros, estão divulgando o nome da Bahia para o Brasil e para o mundo, mostrando que o axé na Bahia não é unanimidade, e que tem gente de talento fazendo um rock de qualidade artística. 

Deixo claro que são inúmeras as bandas (de ontem e de hoje) que fizeram e fazem sua parte (com a contribuição de seu tijolo ou saco de cimento) nesta longa obra de solidificação e reconhecimento do rock baiano; iremos citar algumas (diria… um grão de areia no deserto).  É isso aí…A união faz a força. 

Novos Baianos: Som Pós-tropicalista, e fundada na década de 1960, os Novos Baianos tiveram a grandiosidade de fazer um rock nativo e falado em português, ao misturar o rock estrangeiro com a música brasileira; basicamente, fundiram o rock de Jimmi Hendrix com o bandolim de Waldir Azevedo; dessa mistura nada convencional fizeram história no rock dos anos 70.

Novos Baianos

Tudo começou com a apresentação do show “Desembarque dos Bichos Depois do Dilúvio Universal” (1968), no teatro Vila Velha. A banda era composta por Pepeu Gomes (do grupo era o único que possuía experiência de outras bandas, como Os Minos, e Leif’s), Paulinho Boca de Cantor, Baby Consuelo, Moraes Moreira, Dadi, Luiz Galvão, dentre outros nomes.

Participaram de muitos festivais, e num deles, ainda sem um nome concreto, ouviram do organizador de um programa ”Chama aí esses novos baianos”. Pode-se dizer, também, que são Novos, pois, surgiram no Pós-tropicalismo, pós Gilberto Gil e Caetano Veloso; e o porquê de Baianos eu nem preciso explicar, né? (exceto Baby que era de Niterói).

Tiveram influência (MPB e samba) de João Gilberto, que frequentou durante um tempo a casa do grupo; todos eles moravam juntos (eram cerca de doze pessoas), o que trazia um entrosamento ao grupo. 

Fazer rock em  terras tupiniquins não era nada fácil, pois, além de ter a ditadura em seu encalço, limitando toda forma de livre expressão, as bandas ainda passavam pelo problema de ter que importar instrumentos musicais, já que os nacionais tinham uma qualidade duvidosa; fora que no final da década de 70, o estilo musical new wave e da discoteca era onipresente, ficando o rock, desta forma, um tanto deslocado.

É Ferro na Boneca!, disco de 1970 foi tema dos filmes Caveira My Friend e Meteorango Kid . O disco Acabou Chorare (1972), que inclusive comemora quarenta anos de existência este ano (com Moraes Moreira a frente de uma turnê em que homenageia o disco), foi composto num sítio em Jacarepaguá,e eleito como o melhor disco da história da música brasileira (pela Rolling Stone), apresentando todas as mudanças sonoras e significativas do grupo, vindo posteriormente a influenciar muitos artistas.

 

 

Cascadura: na ativa desde 1992, completando então (e muito bem vividos) 20 anos de história no rock, Cascadura, também já conhecido como Dr. Cascadura, é uma das bandas baianas de rock mais respeitadas da atualidade, possuindo grandes composições em seu currículo, e uma carreira muito bem elogiada por veteranos da música brasileira como Nando Reis, Lobão, Pitty, dentre outros. 

Muito elogiada e bem vista pela crítica e público, ganhou visibilidade a partir de Bogary (2006), quarto disco da banda. Possui uma trajetória preenchida de boas apresentações, dentre elas, a do VMB 2006, juntamente com cantora Pitty, numa homenagem ao Úteros em Fúria; inclusive, já teve em sua formação Martin Mendonça, guitarrista e parceiro de Pitty no projeto paralelo Agridoce.

Participou recentemente do Lollapalooza, em São Paulo, e acaba de lançar seu quinto disco, Aleluia, que tem como temática principal nossa querida Bahia. O disco conta com a presença de participações mais que especiais, como Pitty (na faixa A Mulher de Roxo), Letieres Leite e Orquestra Rumpilezz (Your Head), Móveis Coloniais de Acaju (Aleluia), o percussionista Gabi Guedes (participa da faixa Lá Ele!), Jorge Solovela (participa da faixa Os Reis Católicos) e Ronei Jorge (Dava Pra Ver), inclusive a musica é uma parceria dos dois. Nunca Imaginei também é uma parceria de Fábio, mas, com Nando Reis, que por sinal é um grande fã da banda. As músicas do disco estão disponíveis no site da banda: www.bandacascadura.com/aleluia.

 

Vivendo do Ócio: O nome da banda  foi inspirado nas tardes de ensaio, regado a muita preguiça, fora que combina muito bem com estilo despojado da trupe. Ouvindo o som da banda nota-se influências atuais, como The StrokesArtic Monkeys e The Hives; entretanto, as referências não param por aí, vão da bossa nova ao punk, segundo relata a própria banda. Nesta salada ainda há espaço para os grandes mestres da música, como Beatles e Rolling Stones.  Descoberta a partir do reality show GAS Sound, concurso de bandas de garagem, do qual saiu vencedor na edição de 2008, tiveram como prêmio a gravação de um disco (Nem Sempre Tão Normal).

Marcaram presença no VMB 2009, onde tocaram para o grande público e estrelas da noite,  e ainda por cima sairam vitoriosos com o troféu Aposta MTV. Já se apresentaram fora do país (Brazilian Day Londres e Italia Wave Love festival), onde aproveitaram e gravaram um clipe. Sobre as dificuldades de se fazer rock na Bahia, Jajá, vocalista do Vivendo do Ócio, comenta: “Já faz um tempo que moramos em São Paulo, se não tivéssemos saído de Salvador muita coisa não teria acontecido, isso por um lado me deixa um pouco triste, por ter que sair da nossa cidade pra fazer o que gostamos”. 

A arte do recente disco, O Pensamento é um ímã, foi feita pelos próprios músicos, e   já conta com clipe da música  Silas, gravado na Itália. Vivendo do Ócio com seu estilo bem particular e descompromissado leva o nome do cenário baiano longe. 
VIVENDO DO ÓCIO: CLIPE GRAVADO NA ITÁLIA
Camisa de Vênus: Banda de som forte e agressivo formada na década de 80. Trazia Marcelo Nova á frente dos vocais. O LP de estreia “Camisa de Vênus” teve como sucesso o hit Bete Morreu. O nome da banda era um pouco polêmico e mal visto pela sociedade, tanto que, ao assinar com uma gravadora de nome, esta, sugeriu a mudança do nome da banda, Marcelo propôs o nome “Capa de Pic…” (é melhor deixar para lá! pode ter criança lendo o post…).
 
Já teve músicas censuradas pela ditadura, como a já citada Bete Morreu. A banda tem uma carta na manga, pois, seu álbum Viva (1986) foi o segundo mais vendido no rock nacional dos anos 80. Neste mesmo ano a música Só o Fim foi o Single mais tocado nas rádios. Foram os precursores do álbum duplo no Brasil, o Duplo Sentido. Entre os grandes sucessos das bandas estão Eu Não Matei Joana D’arc, Simca Chambord, Deus Me Dê Grana, e outros.

Marcelo gravou o disco A Panela do Diabo com Raul Seixas no final dos anos 80 após a banda ter dado um tempo na carreira. Atualmente, a banda segue sem o vocalista Marcelo Nova, o baterista Aldo Machado e o baixista Robério Santana.
SUCESSO NAS RÁDIOS
Canto dos Malditos na Terra do Nunca: Banda marcada pela voz forte de sua vocalista Andrea Martins (irmã de Ronei Jorge). Já abriu show para o Placebo e Simple Plan, e dividiram a praia (literalmente) com Nando Reis, já que participaram do Luau MTV com a música Luz dos Olhos. Quem não se lembra da música Olha Minha Cara, que na época de seu lançamento, em 2006, foi sucesso e não parava de tocar entre as mais pedidas da MTV?

A banda terminou em 2007, mas, recentemente tocaram juntos no Groove Bar após esse hiato de cinco anos, entretanto, segundo os próprios integrantes, não sabe se voltam a ativa, pois fizeram o show para se divertir e tocar juntos novamente. Fica a torcida…

 

 

Úteros em Fúria: Banda e seu integrante Emerson Bore foram homenageados no VMB 2008 por Pitty e Cascadura que cantaram juntos Inside the Beer Bottle; inclusive Pitty regravou em seu primeiro DVD a música Be Bigger.

 Formada em 1986, e muita querida no underground baiano, teve apenas um disco (Wombs In Rage, de 1993) gravado ao longo de sua carreira de aproximadamente nove anos. Como toda banda que se preze teve boas influências, do Led Zeppelin ao Aerosmith. Bandas foram surgindo (no final dos anos 80) no cenário rock da Bahia a partir das cinzas do recesso criativo de outras, como o Camisa de Vênus (que deu um tempo em 1988), por exemplo; além do Úteros em Fúria, surgiram também  o Dead Easy e Os Feios (embrião do que viria ser o Cascadura e Dead Billies).

Úteros em fúria cantam Inside the Beer Bottle

Pitty e Cascadura no programa Código MTV

Inúmeros artistas e bandas locais que levaram (pois infelizmente muitas acabaram) ou levam o rock da Bahia para todos os cantos do país e mundo, como Pitty, Raul Seixas (citados em posts recentes), Retrofoguetes (Instrumental/surf rock), Sangria (vale a pena conferir!), Inkoma (banda independente de hardcore, da qual Pitty foi vocalista) The Honkers, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Maglore, O Círculo, Treblinka (banda dos anos 90), And Mary Dies (rock pesado), TraVolta, Enio e a Maloca, Gozo de Lebre, Lisergia, Velotroz, Vendo 147, Los Canos, Stancia…Enfim, a lista é imensa, mas uma coisa é certa: Todas merecem nossos aplausos.   

Pitty como vocalista da banda de hardcore Inkoma

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