Desplugado: Uma nota sobre o melhor dos acústicos parte 1

Por Marcella Matos

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MTV Unplugged é expert no quesito acústico; mas engana-se quem pensa se tratar de grupos tocando seus sucessos em guitarras acústicas, apenas: Muitas apresentações entraram para a história, bateram recordes de vendagem e são de uma emoção indescritível. A emissora, contudo, não foi a pioneira do formato: O primeiro registro em vídeo, no qual instrumentos elétricos foram substituídos pelos acústicos, foi realizado pela NBC em 1968, e trazia o lendário rei do rock, Elvis Presley. No final da década de 70, Pete Townshend e outros artistas produziram materiais nesse estilo em shows beneficentes, como o The Secret Policeman’s Ball; Esta foi uma apresentação inovadora, pois, na época, era raro um artista consagrado tocar seus maiores sucessos de uma forma tão simples; por outro lado, os acústicos foram popularizados pela MTV, cujo programa de número 1 foi ao ar em novembro de 1989. Entretanto, a empreitada da emissora só se tornaria um sucesso após a segunda temporada, com a participação de Paul McCartney, que lançaria Unplugged (The Official Bootleg) (1991). 

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 MTV Unplugged trazia uma proposta nostálgica:  Rememorar as raízes musicais antigas; lembrando que apenas há algumas décadas atrás quase todos os instrumentos ainda eram acústicos. As performances da MTV no estilo banquinho e violão eram protagonizadas, geralmente, por artistas que não se apresentavam nesse molde: envergavam, ao invés de guitarras elétricas e sintetizadores, o benquisto violão em apresentações intimistas. São músicas sob uma nova roupagem e artistas que saem da zona de conforto – para não soarem conforme os padrões estéticos de suas próprias composições, desconstruindo-as. Do mesmo modo, há críticos vorazes do formato, como o produtor musical Steve Albini (In Utero (1994) – Nirvana) que diz: “Do ponto de vista artístico, é uma piada total … Você tira bandas que são fundamentalmente de rock elétrico e colocam guitarras acústicas em suas mãos e fazem com que elas façam uma pantomima de uma performance. No entanto, a MTV Unplugged é um dos programas originais mais bem-sucedidos já produzidos pela MTV”.

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Nirvana:

O acústico do Nirvana é cercado de simbologias, digamos assim, pois o fato de ter sido lançado após a morte de Kurt Cobain (o vocalista morreu em abril de 1994 e o disco foi lançado em novembro do mesmo ano), só aumentou o caráter emblemático que cerca a gravação. Os músicos já notavam certo distanciamento por parte do vocalista, que apresentava constantes mudanças de humor ao longo dos ensaios e não apresentava mais àquela leveza de outrora… Kurt passava por grandes conflitos internos e extensa carga emocional que desencadearia no triste acontecido: suicídio, alguns meses depois.

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 O Nirvana optou, no geral, por covers de artistas menos conhecidos (como Meat Puppets, Leadbelly, The Vaselines) e passou longe de seus grandes sucessos (cantou somente Come as You Are, canção de Nevermind (1991), entrando em conflito, por isso, com a produção do programa. Segundo o baterista Dave Grohl, o Nirvana queria fazer algo diferente: “Nós vimos os outros acústicos e não gostamos muito deles, porque a maioria das bandas queria tratá-los como shows de rock; tocar seus sucessos como eles eram no Madison Square Garden, com a exceção de violões.” Toda a gravação se sucedeu de uma forma bastante orgânica, sem repetições de músicas, com decisões tomadas em cima da hora mesmo, sem scripts ou roteiro.02

Uma curiosidade sobre Where Did You Sleep Last Night, canção que Kurt Cobain canta com grande pesar e emoção: os produtores do acústico pediram para que o vocalista a repetisse (pois, tinha errado a letra); ele, claro, se aborreceu e recusou o pedido.

Os ensaios e a pré-produção foram bastante tensos, tendo Kurt Cobain desistido de se apresentar um dia antes do show, pelos motivos já citados (como o embate com a produção do programa). O Nirvana gravou seu acústico em uma única tomada, algo curioso e incomum, pois os artistas faziam em mais de uma, na busca de uma sonoridade mais satisfatória. Até a escolha do cenário (velas e lírios, muito utilizados nos velórios) colaborou para a aura mítica que cerca o MTV Unplugged In New York, do Nirvana (como se Kurt dissesse adeus). Este show foi histórico, porque foi uma das performances televisivas finais de Kurt Cobain, que morreria cinco meses depois. Toda essa soma de elementos atípicos (covers incomuns, ausência de grandes sucessos e com tomada única; cenário inusitado, clima intimista e melancólico, trouxe um resultado particular, bem como almejavam os músicos.
MTV Unplugged: Nirvana

Korn:

Gravado em meados de 2006, o acústico de uma das bandas precursoras do Nu Metal não agradou, tanto assim, a maior parcela dos fãs… Polêmicas à parte, pois dificilmente um trabalho que saia dos moldes tradicionais (daquilo que se espera sonoramente dos músicos de um determinado estilo) agrada em cheio o público; o MTV Unplugged: Korn (2007) é um álbum interessante, que apresenta algumas versões, digamos, excêntricas, com arranjos bem distintos, que soam por ora um pouco exagerados, mas que se casam muito bem com a proposta do acústico. Depois de munidos todos os elementos do disco, temos um resultado agradável que foge do óbvio e chama atenção pela quantidade de nuances (graças à incorporação de instrumentos como cello, trombones e taiko/percussão japonesa) integrado às músicas.

MTV Unplugged With Korn

O acústico do Korn contou com a participação de Amy Lee (Evanescence), Robert Smith e Simon Gallup (The Cure). Logicamente que os covers marcaram presença: Creep (Radiohead) e In Between Days (The Cure); ambas possuem uma atmosfera macabra, melancólica e soturna; resultado de como a banda conciliou vozes, instrumentos, arranjos, ambiência visual (os músicos de apoio se apresentaram de máscaras), etc. de uma forma que surgisse uma atmosfera simbolicamente cinzenta diante dos nossos olhos.

Faixas como Freak on a Leash, Blind, Hollow Life e Falling Away From Me foram apaziguados/amaciados sem perder, com isso, o peso e a rudeza da composição; mesmo assim, muitos fãs estranharam desde o início (e alguns continuaram estranhando até o fim) a sonoridade, acostumados, é claro, com ooutroKorn …
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Legião urbana:

Legião Urbana representa uma época que clamava por mudanças: Políticas, sociais e comportamentais. Expoente do rock nacional, as ideias e o discurso dos brasilienses eram porta-voz de uma juventude em busca de uma identidade perdida, oriunda das marcas deixadas pela ditadura militar. O processo de redemocratização do Brasil foi o marco para àquela geração. Influenciado por bandas de punk-rock, cujas letras abordavam temas políticos e questionavam crenças e valores tradicionais, Renato Russo, ainda adolescente, forma o Aborto Elétrico, banda que foi o embrião da Legião Urbana; esta, contribuiu para a construção da linguagem do rock nacional. As letras compostas pelo trio refletiam as incoerências deste vasto país, mas Brasília era a principal inspiração dos músicos, afinal de contas é o centro político e de poder do país. Críticos vorazes, cada uma das canções compostas pela Legião Urbana ao longo da carreira, demonstram uma realidade tão próxima de todos nós: Geração Coca-Cola narra a imersão dos jovens aos costumes estrangeiros e a letargia contestatória dos mesmos (desinteresse por lutas); já em Teatro dos Vampiros expunha as dificuldades passadas pelo povo brasileiro em decorrência de políticas neoliberais (em terras tupiniquins, onde impera a desigualdade social, é um agravante); citando apenas duas obras do grupo.

legio-urbana-acustico-mtv-c-encartwe-dvd-original-D_NQ_NP_21798-MLB20217897404_122014-FApós desembarcar em terras brasileiras, a MTV Brasil produziu sua versão para a série Unplugged; houve alguns pilotos do programa, que não produziram discos ou sequer foram exibidos (como o de Marcelo Nova, por exemplo). Gravado em 1992, o Acústico MTV Legião Urbana, apresenta uma simplicidade de produção, que chama atenção: A banda tocou com auxílio de apenas dois violões e uma singela percussão; até a escolha do cenário (ausência de elementos figurativos) é desprovido de superprodução. É considerado, por muitos veículos especializados, um dos melhores acústicos já realizados pela emissora brasileira. O destaque é a grandiosidade da banda (demonstrada com tão poucos suportes).
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Os grandes sucessos não ficaram de fora; Renato Russo, Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá tocaram Faroeste Caboclo, Pais e Filhos, Há tempos… Houve espaço para canções que, até então, nunca tinha sido gravadas, como Teatro dos Vampiros e Hoje a Noite Não tem Luar (versão). Entre os covers que a Legião Urbana executou, estão: Jesus & Mary Chain (Head On) e Neil Young (On The Way Home / Rise). Sucesso de vendas, o acústico MTV Legião Urbana, só na primeira semana, vendeu nada menos que 700 mil cópias.

 

Kiss:

O Hard Rock enérgico do Kiss resistiu a inúmeros modismos e movimentos musicais (dos mais variados estilos) ao longo dos quarenta anos de carreira. Contudo, uma fase relativamente conturbada para a banda foram os anos 90, época que marcou o enfraquecimento comercial do Heavy Metal e subgêneros; neste período lançaram Revenge (1992), disco com ótimas composições que resgata, ao longo das doze faixas, aquele velho espírito do Kiss (que andara um bocado adormecido, perdido em meio a tantos ‘encaixes’). Há nele poderosos e pesados riffs, performances inesquecíveis, solos, andamentos e linhas de guitarra magistrais. Destaque para a ótima fase do quarteto, pois o entrosamento entre os músicos é perceptível (Eric Singer e Bruce Kulick – o guitarrista já colaborara em antigos lançamentos – adicionaram frescor à dupla Simmons e Stanley). O quarteto entrega um Hard Rock poderoso e cheio de vigor; em grande parte, mérito das exímias parcerias: Vinnie Vicent (ex-membro), Russ Ballard (Argent), Jesse Damon (Silent Rage), Kane Roberts (Alice Cooper) e Bob Ezriz (produtor do álbum) participam como co-autores de algumas canções do disco. Ironias à parte, o álbum foi muito bem recebido pelos fãs ao mesmo tempo em que teve uma vendagem modesta nos Estados Unidos (foi bem mais acolhido em outros mercados).

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Três anos após o lançamento de Revenge, foram convidados pela MTV a se apresentarem na série Unplugged. Na ocasião, os antigos membros Peter Criss (bateria) e Ace Frehley (guitarra solo) foram convocados, por Simmons e Stanley, a participarem da reunião; as desavenças foram deixadas de lado: os quatro integrantes da formação original não dividiam o mesmo palco desde 1979. Em alguns momentos, Eric Singer e Bruce Kulick retornavam aos palcos para completarem o sexteto. O acústico do grupo faz uma espécie de compêndio, um resumo da obra, pois habilmente revisitam sua discografia; estão presentes canções dos seguintes álbuns: Kiss (1974), Hotter Than Hell (1974), Dressed to Kill (1975), Destroyer (1976), Love Gun (1977), Dynasty (1979), Music From “The Elder (1981), Creatures of the Night (1982) e Revenge (1992). 

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Eles elegeram 2000 Man como cover; esta canção, composta pela dupla Mick Jagger e Kaith Richards, fora gravada anteriormente pela banda, no disco Dinasty. A versão do Kiss possui um arranjo diferente da original (dificilmente associamos uma à outra), o que traz à música a impressão de ter sido escrita pelo próprio Ace Frehley e companhia. 

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A reunião clássica foi mantida em segredo pelos produtores do programa até o dia da gravação (imagine a surpresa dos fãs!). Alguns críticos musicais chamam o Kiss Unplugged (1996) de “ambiente majoritariamente eletro-acústico”, mas enfatizam a qualidade das canções: “período clássico da banda”. O concerto acústico equivaleu a uma (competente) retrospectiva da carreira do grupo, que tocaria novamente junto com Frehley e Criss na turnê Alive/Worldwide Tour!(1996/1997).

 

Aerosmith

The Cure

Paul McCartney

Eric Clapton:

Os produtores do programa não imaginavam que a primeira temporada seria um sucesso absoluto de público, pois era, no mínimo, curioso assistir aos artistas interpretarem seus grandes sucessos sem aquela grande produção por trás; em concertos para lá de especiais, tocavam as músicas do modo como tinham sido compostas.  A repercussão positiva dos treze primeiros episódios rendeu à série sua segunda temporada que contou com artistas como Aerosmith (novembro/90), The Cure, Paul McCartney (ambos gravado em janeiro/91) e outros grandes nomes.

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Gravado em 11 de agosto de 1990, o episódio do Aerosmith concentrou todos os holofotes no programa, digamos assim, pois a banda de hard rock fez barulho e acabou por divulgar esporadicamente a atração, ao mesmo tempo em que abriu espaço para que outros artistas, tão legais quanto, viessem tocar nesse formato. Mas, diferente de seus colegas de profissão, o Aerosmith não lançou um álbum da performance ao vivo.

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A banda britânica The Cure foi a primeira atração da versão europeia do MTV Unplugged. A apresentação foi gravada em um pequeno (e intimista) estúdio londrino. O acústico de McCartney viria logo em seguida e mudaria para sempre os meandros da história do programa…
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Para o produtor do programa, Alex Coletti, a participação de Paul McCartney foi fundamental para a popularidade, êxito e sobrevivência do MTV Unplugged. A apresentação do músico inglês se configurou como um divisor de águas, que desencadearia no lançamento do primeiro registro da série: Unplugged (The Official Bootleg) (1991).

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Diferente dos demais episódios, Paul McCartney se apresenta com instrumentos totalmente desplugados (é comum os artistas fazerem uso dos instrumentos acústicos plugados a amplificadores, na verdade). De acordo com fontes de alguns veículos musicais “os microfones foram cuidadosamente colocados perto de guitarras, pianos, etc. para pegar o som (isso pode ser visto na capa do álbum, onde um grande microfone retangular é retratado na frente do violão acústico de McCartney)”. O apanhado de músicas, selecionadas por Paul, se adaptou perfeitamente ao formato acústico.

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Unplugged (1992), álbum de Eric Clapton conquistou feitos memoráveis; o desempenho ao vivo do músico lhe rendeu seis prêmios Grammy, dentre eles o de melhor álbum do ano (inédito para o formato Unplugged). Elogio de crítica e público, o disco vendeu nada menos que 26 milhões de cópias mundo afora. E o fato de ver um dos maiores guitarristas da história do rock trocando sua (quase extensão do braço) Stratocaster por um ‘singelo’ violão é no mínimo inusitado. Nossa admiração pela carreira substancial de um dos músicos mais excepcionais daquela geração só aumenta tamanha a simplicidade dele: Após concluir a ‘tracklist’ da apresentação, Clapton se dirige à plateia e diz um modesto: “é isso”; logo depois, menciona a necessidade de repetirem “duas – não, três – não, cinco músicas… Se vocês não se importarem, eu não me importo…”, complementou.

Destaque para a nova versão de Layla, Tears In Heaven (escrita para seu filho Conor, que morreu ao cair do 53° andar) e Rollin’ and Tumblin’ (gravado pelo Cream, Muddy Waters e outros músicos). Clapton fez (novamente) história, pois a apresentação é considerada como umas das melhores já exibidas, ao mesmo tempo que é tida como referência: de competência técnica, qualidade sonora, talento e versatilidade.eric-clapton-unplugged-pic-701x473O MTV Unplugged dispões de um passado longo; recebeu uma ampla gama de artistas dos mais variados gêneros musicais e foi palco de encontros memoráveis, como o de Rod Stewart e Ronnie Wood – ambos fizeram parte do Jeff Back Group; com o término da banda se juntaram a Ian McLagan, Ronnie Lane e Kenney Jones (até então integrantes do Small Faces) e formaram o The Faces -. A série de música acústica tão aclamada não ostenta mais o peso e importância de outrora, mas deve ser reconhecida por ter alcançado públicos tão amplos e sido, ao mesmo tempo, “um marco revolucionário e cultural na indústria da música”, descreve uma fonte especializada.

Aguarde a segunda parte deste artigo!

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Felinos: Capas de clássicos do Rock e Heavy Metal estampado pelos bichanos

A artista norte-americana  Alfra Martini, amante de gatos e colecionadora de pôsteres antigos, utilizando as ferramentas do Photoshop criou uma arte muito inusitada ao inserir gatos em capas de discos clássicos (substituindo os artistas pelos ditos cujos peludos). O resultado do projeto intitulado como Kitten Covers  é bem interessante…

Por Marcella Matos.

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THE STOOGES (1969)

Considerado um dos discos mais influentes para o gênero que se fortaleceria anos mais tarde (Punk e o Punk Rock), The Stooges (1969) é um álbum cru, direto e sem firulas; ao mesmo tempo que toda essa “simplicidade” é acompanhada por uma grandeza harmônica e excelência musical; sabe aquela expressão do menos ser mais? Se enquadra magistralmente no caso dos The Stooges. A mixagem do disco foi realizada pelo próprio Iggy Pop, após a gravadora ter recusado a original feita pelo então produtor da banda.  A mixagem é um processo importante, executado após a gravação; implica no “balanço final entre tudo o que foi gravado, estabelecendo os níveis de volume (planos) de cada instrumento na música, ou seja, todos os instrumentos que foram gravados em canais separados, serão integrados para formar a música da forma que ela será ouvida”, diz o site Alvo Virtual. A sonoridade de um álbum é muito influenciada por tal processo; daí a importância da banda saber exatamente o que quer (em quesito sonoro).

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HIGHWAY TO HELL – AC/DC

Lenda do Hard Rock, a banda fundada pelos irmãos Angus e Malcom Young emergiu da Austrália para o mundo “carregando na bagagem” um  rock enérgico e muito peculiar para a época. Highway to Hell (1979) foi o último disco gravado com os vocais do espirituoso Bon Scoot, que viria a  falecer após o lançamento do álbum em decorrência de uma fatalidade (embriagado e desacordado, Scott sufocou com a próprio vômito). Uma curiosidade sobre a banda é que antes de se tornar o vocalista, Bon Scoot trabalhava como motorista da van do AC/DC. Repleta de obras-primas musicais, o álbum é muito cultuado e lembrado até os dias atuais, não soando “datado” e contendo arranjos que são (ou foram) fonte de inspiração para diversas bandas.  

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LIVE THROUGH THIS – HOLE

Considerado o melhor disco do Hole, Live Through This foi lançado em abril de 1994 (mesma época da morte de Kurt Cobain, marido da vocalista Courtney  Love); possui um direcionamento musical distinto do álbum anterior,  numa combinação de potência e boas melodias que lhe rendeu críticas positivas e uma base respeitável de fãs. Contém faixas emblemáticas como Violet, Miss World, Asking for It (Kurt participa da faixa como vocal de apoio). Destaque para a faixa Doll Parts, que possui emoção e densidade bem marcantes.  

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NEW YORK DOLLS (1973)

Não subestime esses quatro rapazes “uniformizados” de bonecas andrógenas (com direito a maquiagem, roupas e afins), pois no contexto em que todos se encontravam,  em meados dos anos 1970, não existia nada mais provocador, contestador e subversivo que a tal atitude Glam Rock (bastante corajosa numa sociedade extremamente conservadora). Precursores do Punk, estilo que invadiria  com toda força as ruas de Nova York e os bairros da longínqua Londres; O New York Dolls não foram tão populares como as Ramones, entretanto merecem reconhecimento e a devida  importância para o direcionamento que o então emergente Punk tomaria mais à frente. Disco respeitável e bastante agressivo (principalmente os vocais), a performance de New York Dolls (1973) pode ser facilmente reconhecida e encontrada em outras bandas do gênero. Destaque para a faixa Personality Crisis cujas referências citadas acima podem ser conferidas.

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RIDE THE LIGHTNING – METALLICA

Grande referência mundial, o Metallica simultaneamente com outras bandas da chamada Bay Area (Baía de São Francisco, no estado da Califórnia) deram início a uma nova vertente do metal, o Thrash Metal. Os jovens músicos bebiam da fonte de bandas como Iron Maiden, Diamond Head, Tygers of Pan Tang e outras bandas da chamada New Wave of British Heavy Metal – N.W.O.B.H.M. ( ou Nova Onda do Heavy Metal Britânico)  e mesclavam com o Punk Rock norte-americano; surgindo assim uma nova sonoridade extremante agressiva e mais veloz. A ideia era soar como os ídolos ingleses: “Eu só queria fazer uma nova NWOBHM, uma versão californiana daquilo”, conta Lars Ulrich, baterista do Metallica em entrevista à revista Rodie Crew. O Metallica foi a primeira banda da cena a ter visibilidade e contato com a mídia especializada, levando o Trash Metal aos quatro cantos do mundo. Ride the Lightning, em comparação com o debut Kill ‘Em All , possui um direcionamento musical mais cadenciado e um conjunto de letras mais reflexivas que abordam temas sobre a morte e as  perdas inerentes da vida. 

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ACE OF SPATES – MOTORHEAD

Clássico obrigatório para os fãs do trio inglês liderado pelo inconfundível Lemmy Kilmister, Ace of Spates foi lançado em meados dos 1980 após os excelentes Overkill(1979) e Bomber(1979). Após os músicos baterem cabeça com algumas gravadoras que não acreditavam no potencial da banda, pois consideravam o trabalho do grupo como “não comercial o suficiente”, Lemmy e companhia foram angariando ao longo da estrada um grupo respeitável de fãs que possibilitou ao Motorhead uma independência musical forte. A áurea que circunda em torno da banda é devido, em grande parte, a presença do carismático frontman, dono de uma voz e personalidade inconfundível, agregando à banda uma identidade que se confunde com a da própria pessoa Lemmy. Álbum transgressor, é marcado por grandes canções que ultrapassam as barreiras do Rock (o Motorhead não se considerava uma banda de Heavy Metal), flertando com outros gêneros que conduziriam a sua música para um patamar pesado e bastante coeso, tudo isso, claro, com os amplificadores no limite máximo.

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GREEN MIND – DINOSAUR JR.

 Banda formada em 1983, ganharia destaque ao longo dos anos por inovar a cena (independente) da qual fazia parte. Ainda na década de 1980, a banda lançaria dois excelentes discos que se tornariam clássicos da cena de rock independente. Influência para muitas bandas surgidas na década de 90, como Nivarna, Sonic Youth e Pixies, o Dinossaur Jr impactou o cenário underground norte-americano introduzindo em suas canções riffs, solos e muita distorção de guitarras numa cena até então mais voltada para uma sonoridade Hardcore/pós Punk. A banda pode ser considerada como a precursora do som Grunge, já que muitos elementos de suas músicas foram referência para bandas da cena Grunge. Com o passar dos anos o prestígio e número de fãs foi aumentando. As guitarras distorcidas do Dinosaur Jr é referência declarada de bandas como Sonic Youth. Após lançaram Green Mind a banda saiu em turnê, e quem abria as apresentações do grupo era ninguém menos que o Nirvana (a “parceria” foi fechada antes do sucesso do Nevermind). J Mascis, vocalista e guitarrista da banda, é tido como o cara por trás do Dinosaur Jr, pois é o único membro inicial da banda e o responsável pela identidade sonora do grupo.  Um fato curioso é que Mascis tocou todos os instrumentos do álbum Green Mind, ficando a responsabilidade da bateria a cargo de Emmett Murph mesmo. Outra característica que define bem o som da banda são os vocais “desleixados” de J. Mascis que casa muito bem com os belos solos de guitarra do cara.

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KISS (1974)

Até os grandes começam de baixo, e o Kiss é um exemplo perfeito para ilustrar tal ditado, afinal de contas o primeiro ensaio da banda tinha menos que seis pessoas! Para que a atenção fosse voltasse para eles, adotaram uma identidade visual bem sólida,  que por sinal seria sua inconfundível marca registrada. O álbum que ilustra esse post foi o primeiro gravado pelo Kiss, que na época passava por problemas financeiros, em que não tinham o devido suporte (investimento) para os shows – que não eram baratos. Para a foto de capa todos os integrantes fizeram a própria maquiagem, com exceção do baterista Peter Criss (é um pouco notável a diferença entre a maquiagem dos demais)… A inspiração para a sessão de fotos foi o segundo disco dos Beatles With the Beatles.

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O álbum não vendeu o esperado, entretanto foi o suficiente para que banda assinasse com a gravadora a longo prazo. Faixas como Strutter, Firehouse e Nothin’ To Lose são lembradas até os dias de hoje nas mega apresentações do grupo. Nessa época a banda ainda não tinha espaço dentro da programação das rádios, fato que impressiona o número respeitável de vendagens que atingiu o disco de estreia (ganharam inclusive disco de ouro).

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PARALLEL LINES – BLONDIE

Álbum de maior sucesso do Blondie, Parallel Lines foi o resultado de muita labuta em estúdio, pois o produtor Mike Chapman – como um perfeccionista nato – exigia incessantemente o melhor de todos os integrantes, resultando em divergências dentro do estúdio, pois exigia que todos os integrantes da banda repetissem o processo de gravação inúmeras vezes (era muito ego para pouco metro quadrado). A arte da capa é meio “caretinha ” se pensarmos que o Blondie é uma banda Pós-Punk/New Wave oriunda  da década de 1970/80, o que originou um descontentamento dentro da própria banda que considerava a capa não condizente com o estilo deles… Ironias à parte, o fato é que a imagem estampada em Parallel Lines se tornou um clássico. A sonoridade do disco é uma mistura equilibrada de um pop leve e dançante, riffs no estilo surf music, direcionamento underground e a fusão de variados estilos musicais (que se fortaleceria nos discos posteriores) resultando em um disco com variadas nuances sonoras. Faixas como One Way or AnotherHanging on the telefone, Heart of Glass (um flerte irônico com a Disco Music), dentre outras, foram responsáveis por tornar a banda um sucesso absoluto de público e de vendas ao redor do mundo.

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RAMONES (1976)

Músicos que estavam à frente do seu tempo – foram os pioneiros do Punk Rock -, transformavam a matéria bruta em um produto completamente não convencional, afinal de contas os Ramones possuíam referências musicais (esteticamente e sonoramente) bem distintas do som “cru” criado pela banda. Beatles, The Doors e Rolling Stones eram influências para o quarteto norte-americano que se mostrou sempre muito inovador, compondo músicas com melodias simples e diretas, sem a presença de técnicas de estúdio – muito comum naquele tempo. Até a vestimenta dos rapazes era novidade: Calça jeans surrada e jaqueta de couro, simplicidade que seria adotada e referenciada mais tarde. Ramones (1976) foi o primeiro disco da banda, sendo perceptível a inexperiência e falta de técnica dos rapazes, entretanto a singularidade das canções, o desenrolar das melodias ultra enérgicas e a abordagem de letras bem diretas, ou seja, o que raramente se ouvia na época, foi o suficiente para que as rádios norte-americanas não dessem o merecido reconhecimento ao disco, que, por sua vez, foi muito bem aceito no velho continente europeu. O disco é considerado como um dos mais importantes para a história do rock, pois influenciou uma gama de gêneros musicais como Heavy Metal, Hardcore, Thrash Metal, Hard Rock, Grunge… enfim. A foto  que estampa capa do disco foi tirada pela fotógrafa Roberta Bayley, e é considerada umas das mais belas capas de discos de todos os tempos.

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NOS PRÓXIMOS POSTS…

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