Gojira: Insana e Singular experiência musical

Identidade. Esta singela palavrinha definiria muito bem (dentro dos limites possíveis da língua portuguesa) o Gojira. Formado em Baiona, cidade ao sul da França, a banda é composta pelos irmãos Joe e Mario Duplantier (Vocal/guitarra e bateria, respectivamente), Christian Andreu (guitarra) e Jean-Michel Labadie (baixo);  anteriormente conhecida por “Godzila”, os músicos merecem todo o reconhecimento atual, fruto de muito trabalho, percorrido durante os 21 anos de estrada… Banda facilmente identificável (musicalmente falando), pois são donos de um sonoridade única e criativa, adquirida ao longo da carreira, numa fusão louca (mas equilibrada e agradável de se ouvir) de gêneros de Heavy Metal, como o Groove Metal, Death Metal, Progressive Metal e Thrash metal…). O “timbre” do Gojira é inconfundível.  

Por Marcella Matos.

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Identidade é essência , e isto vem se perdendo atualmente na bagagem das bandas. Ser “identificado” logo de cara, dentro do limite dos primeiros acordes é algo raro de ser visto (e ouvido) nos dias de hoje; principalmente numa realidade onde somos ‘meio’ que induzidos – pela enxurrada de informações (e propagandas) – a sermos análogos, seja na forma de se pensar, se vestir, se portar, enfim… Se não tivermos senso crítico (algo presente em todo ser humano, basta abrirmos nossos olhos!) somos engolidos e consequentemente padronizados. Como resultado, nossas individualidades (no sentido de unicidade, o que todo ser humano é) vão se desfazendo, e o efeito disso? Um mundo chato, estático e anacrônico. Daí a importância de “personas” que rompam com essa lógica mecanicista, pois atitudes espontâneas nos inspiram, e o mundo pede isso. Enfim, sigamos…

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Desde os primórdios de sua formação, Duplantier e companhia nunca se preocuparam com rótulos, exemplo disso é a variação de álbum para álbum, ora mais voltado para o Groove, com riffs e melodias mais marcantes, ora mais Death Metal, com vocais mais agressivos, pedais duplos mais sincronizados; além de volta e meia incorporarem elementos atmosféricos e instrumentais, etc. Por outro lado suas letras bordam sempre a ambivalência sobre a vida e morte, a espiritualidade e energia do homem e sua relação com o meio ambiente. Temáticas que não são muito abordadas nas letras de Heavy Metal. Dentre as influências ‘visíveis’ e identificadas (utilizada com muita propriedade e personalidade que dão origem AO NOVO estão: Meshuggah, Metallica, Tool, Sepultura, Death, Slayer, Pantera, Opeth, dentre outros.

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Assim como a vida tem seus distintos momentos (principalmente em longos hiatos de tempo), a discografia do Gojira permeia por essa lógica, vejamos:

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Terra Incognita (2001) ‘primeiro álbum’ da banda, já conhecida pelo codinome Gojira, apresenta um frescor musical, ou seja, elementos (hoje característicos do grupo) bem discretos e sutis que iriam amadurecer e ocupar lugares de mais destaque nos discos posteriores. Terra Incognita apresenta um Death Metal muito bem trabalhado. Álbum pesado, com riffs marcantes e bateria ensandecida.

Prossigamos para The Link (2003), álbum que se desdobrou em DVD e disco ao vivo, captando o que os franceses são capazes no palco, ou seja, o domínio pleno da performance e da técnica do grupo ao vivo. Foi muito bem recebido pelos fãs e pela crítica, obtendo ótimas resenhas em revistas e sites especializados. Destaque para a afinidade e energia do grupo, característica muito observada e pontuada por quem já conferiu a banda tocar ao vivo (notável muito bem através dos vídeos do YouTube mesmo).

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From Mars To Sirius (2005) projetou a banda para terras distantes, uma vez que assinaram contrato com uma gravadora maior, possibilitando ao Gojira contato com maiores públicos ao redor do mundo; saíram em turnê com bandas ‘de peso’ como Annihilator, Children of Bodom, Behemoth, Amon Amarth.. A banda adquiriu mais  segurança e experiência na bagagem o que refletiu numa ótima fase criativa para o quarteto.

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7Velocidade e brutalidade são adjetivos latentes no álbum The Way of All Flash (2008), disco com sonoridade e guitarras pesadas. Curiosidade para a arte da capa do disco, desenhado pelo Joe Duplanier (o vocalista também criou a arte de From Mars To Sirus). Destaque para a abertura do álbum, Oroburus, música forte com sonoridade Progressive Metal. Entretanto o peso e a técnica do Death Metal, tão característico dos caras, marca presença ao longo das faixas.

Considerado um dos melhores discos do Gojira, L’Enfant Sauvage (2012) personifica e transmite a essência musical da banda. O que o Gojira é. Todos os elementos que fazem parte intrínseca da bagagem musical do grupo está trabalhada nesse disco de forma bem”Gojiriana”, com o perdão do trocadilho. Um disco que dispensa apresentações. Ênfase nas linhas de bateria executada pelo Mario Duplantier.

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 A criatividade do Gojira atingiu níveis estratosféricos, uma prova disso é a análise da discografia do grupo, repleta de “quebra de protocolos”, o que mostra um não conformismo e comodismo, pois há sempre uma fuga de sua zona de conforto.  Magma (2015) é a personificação disso; disco com atmosfera mais sombria, vocais ‘mais limpos’ e linhas mais melódicas. Durante a época de gravação de Magma, a mãe dos irmãos Duplantier veio a óbito, e claro, toda a tristeza e o pesar dos músicos refletiu em canções mais experimentais, como a faixa de abertura The Shooting Star, e outras, como a canção que dá nome ao disco Magma e a belíssima Low LandsMas o peso continua marcando presença na veia pulsante dos rapazes, há exemplo de faixas como The Cell (Groove com G maiúsculo, na linha do Meshuggah), Silvera e Stranded. Magma é um disco com riffs marcantes e andamento interessante, provando que o Gojira não se contenta com o óbvio, e que está sempre aberta a novidades, como afirma Mario Duplantier: “Estamos distantes de nossas raízes death metal. Mudamos. Até eu não escuto mais música extrema. Mas ainda amo meu trabalho com o bumbo duplo, é como arte para mim. Provavelmente, o som do Gojira seguirá o caminho atual. Mais diverso, mas ainda grudento”.

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Facetas de Johnny Depp: Hollywood Vampires

Por Marcella Matos

Não é novidade para ninguém que o Multifacetado – ou diria multi-atarefado? – Johnny Depp é apreciador nato do velho e bom rock. Sua roda de amigos é composta por um time de primeira de astros do rock, e não é de se admirar que um dia todos se reunissem para formar uma banda: Hollywood Vampires.

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 Inicialmente o Hollywood Vampires era um clube de bebedeira, composto predominantemente de astros do rock que se reuniam em um bar de Los Angeles, o Rainbow Bar e Grill, com o intuito de beber (claro!) e trocar ideias… Como passavam longas horas da noite jogando conversa fora no recinto (na verdade só saíam de lá ao amanhecer!) apelidaram  o lugar de Lair of the Hollywood Vampires.

Placa do Clube

O fundador da confraria é ninguém menos que o pai do Shock Rock: Alice Cooper, que descreve o grupo: “Nós tínhamos uma espécie de clube, uma confraria de amigos que se encontravam para beber juntos. Todas as noites, e eu reitero, TODAS as noites nós acabávamos no Rainbow, famoso bar roqueiro de Los Angeles, bebendo até o sol nascer. Por isso acabaram nos chamando de vampiros. A única diferença era que bebíamos álcool, não sangue.”

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O Clube era composto por personalidades como John Lennon, Keith Moon (The Who), Ringo Star, Micky Dolenz (The Monkees), Jimi Hendrix, Marc Bolan (T. Rex), Harry Nilsson (cantor e compositor) dentre outros…

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Ringo, John, Keith, Marc, Micky e Jimi: Hollywood Vampires

Com o passar dos anos as reuniões foram crescendo e adquirindo novos membros: “Para se juntar ao clube, o candidato tinha que simplesmente oferecer um drink a todos os membros“, conta Alice Cooper. O Lair Of The Hollywood Vampires chegou a ter sedes ou filiais em outros países.

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Uma das reuniões do Hollywood Vampires

Entretanto, o Hollywood Vampires (clube) apenas se tornaria uma banda  40 anos após sua fundação: Joe Perry (Aerosmith), Duff Mckagan e Matt Sorum (Guns ´Roses) – ambos tocam com a banda ao vivo, entretanto não participaram da gravação do disco – completam a  formação do supergrupo de rock.

O disco de estreia da banda, “Hollywood Vampires” (2015), é composto por covers dos atuais e antigos integrantes do clube (Exceto a música Raise the Dead), e conta com a participação de grandes nomes. Foram reunidos em estúdio lendas como: Paul McCartney, Brian Johnson (AC/DC), Zak Starkey (Oasis e filho de Ringo Star), Slash, Dave Grohl (Foo Fighters), Joe Walsh (The Eagles), Robby Krieger (The Doors), Bob Ezrin (músico e produtor de clássicos como: The Wall (Pink Floyd), Destroyer (Kiss), School´s Out (Alice Cooper) e  Christopher Lee (ator e cantor já falecido, conhecido por interpretar Drácula no cinema. No disco, Lee narra um trecho do livro Drácula, de Bram Stoker).

hollywoodSobre o time que participa do disco, Alice resume: “Conseguimos um grupo de músicos bem impressionante, você viu?”

Johnny Depp e companhia se apresentaram no Rock in Rio (2015) para um público que  esperava ansiosamente vê-los tocar ao vivo; afinal de contas o Hollywood Vampires tinha se apresentado apenas em Los Angeles e para um público bem pequeno. Bem a vontade no palco mundo, Depp mostrou ser um guitarrista habilidoso,  se arriscando em alguns solos; A banda fez bonito para os presentes da noite,  apresentando um dos mais animados shows do festival.

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Depp tocando com Joe Perry no Rock in Rio 2015

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Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, e um dos convidados da noite, se surpreendeu com a performance do ator, ainda durante os ensaios: “Fiquei surpreso, ele toca bem. Parece que antes de ser ator ele tinha uma banda, e tem um grande conhecimento musical. Fora que é gente fina demais, falou com todo mundo, foi super simpático e ainda ficou imitando o Jack Sparrow para a minha filha, Guilia”, disse em entrevista a Folha de São Paulo. Andreas tocou “School Out” (Alice Cooper) e Another Brick in the Wall parte 2 (Pink Floyd).

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Alice Copper não economiza elogios ao amigo de banda: “Ele é um excelente guitarrista! Era músico antes de ser ator, sabe tocar qualquer canção de rock. Outro dia fomos ao 100 Club, em Londres, e subimos ao palco. Lá, as pessoas berram os nomes das músicas e você tem que se virar e tocar. Johnny tirou de letra: alguém berrava “Brown sugar”, e ele começava a música. A banda ia atrás”. Conta o vocalista em entrevista ao jornal O Globo.

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Este post não termina por aqui… O que fazia Johnny Depp antes de se tornar ator? Abordaremos minuciosamente este assunto nas próximas postagens. Aguardem.

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