Max Cavalera: Orgulho Nacional

O que escrever sobre Max Cavalera? Afinal de contas foram tantos acontecimentos significativos em sua extensa carreira musical, e tamanha é a sua importância em ter levado ao topo o nome do Brasil – em se tratando de Heavy Metal – para terras tão longínquas que umas poucas e míseras palavras não farão jus a sua pessoa. Entretanto, sigamos…

Por Marcella Matos

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Max, com êxito, conquistou o seu espaço (sem nunca perder sua identidade nacional) em um cenário tão externalizado, cujos olhares eram sempre direcionados para bandas norte-americanas e/ou europeias. Ao longo de sua carreira fez uma mistura ‘primitiva’ das sonoridades tipicamente brasileiras com a música de bandas estrangeiras, criando uma identidade imensamente forte em suas músicas:

 “[…] Max e Sepultura mostraram ao mundo que aqui é possível nascer uma banda de estilo único, genuíno, brasileiro, com nosso canibalismo cultural, misturando as influências externas com nossa música”. Como enfatiza Kiko Loureiro (Angra e Megadeth). 

Incontáveis são os músicos que foram influenciados pela sua sonoridade, pois Max, ao lado do Sepultura, foi o primeiro brasileiro no Metal a realmente tocar fora do Brasil e ganhar uma grande e fanática legião de fãs estrangeiros. O Metallica, inclusive, assistiu a várias apresentações do Sepultura nos anos 80. O Sepultura saiu da pacata Belo Horizonte (MG) oitentista para excursionar com grandes nomes do Metal: Levou o nome do Brasil para o mundo e trouxe o Brasil para o panorama da ‘música extrema’.

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O Heavy Metal do Sepultura era inovador: Mesclava a sonoridade tradicional do gênero com elementos da música e da cultura brasileira. Foi justamente essa ‘novidade’ e originalidade que lhe rendeu notoriedade na cena; ao mesmo tempo, abriu portas para que outras bandas brasileiras de Metal fossem recebidas pelo público estrangeiro de uma forma mais amistosa, pois o Sepultura provou que o Brasil não é apenas o país do samba e do futebol… Como a diversidade do seu povo: Vai muito além disso.

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De cima para baixo: Paulo Jr. (B), Jairo Guedez (G), Max (G) e Igor Cavalera (D) no ano de 1985; Sepultura já com Andreas Kisser.

Após sua saída do Sepultura, Max Cavalera manteve a ousadia em seus projetos: Misturou ‘música pesada’ com ritmos indígenas e tribais, adicionando instrumentos um tanto incomuns para o Heavy Metal. Máquina de fazer riffs, sua marca registrada é a guitarra de 4 cordas, onde suas canções são munidas de belas melodias, letras fortes, interpretação marcante, tudo isto, aliado a todo aquele peso característico da sua música.

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Santa Tereza (bairro): Onde tudo começou

Seu legado musical é notório, a todo momento lembrado pelos músicos (e ao mesmo tempo fãs) quando indagados sobre quais discos e bandas marcaram a cena e fizeram história. Mille Petrozza (Kreator) expressa sua admiração por Max:

“Eu e Max nos conhecemos em 1985, e ele foi o meu primeiro grande amigo no Brasil. Naquela época o nome que ele utilizava era ‘Max Possessed’, e nos correspondíamos por cartas. Em um destes contatos, Igor desenhou e me enviou uma camisa do Sepultura. Jamais me esquecerei disso. Max ainda é um bom amigo, e não mudou em nada com o passar dos anos em relação à sua simplicidade. Sempre que nos encontramos em festivais, conversamos, lembramos dos velhos tempos, e nos divertimos. É muito bom reencontrá-lo. Max é um dos músicos mais criativos e humildes do Metal. Uma lenda viva.”

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A fusão de ritmos indígenas com o heavy metal ganhou significativo destaque no disco Roots (1996), no qual as músicas Itsári e Jasco foram gravadas em uma tribo (Xavante).

Seu legado musical é extenso, sempre adicionando personalidade e originalidade a todos os seus projetos, seja com o Sepultura, Soulfly, Cavalera Conspiracy, Killer be Killed ou Nailbomb;

De cima para baixo: Soulfly, que na época ainda contava com Joe Duplantier (Gojira) no baixo; Com João Gordo no projeto intitulado C.T.I.

De cima para baixo: Soulfly, que na época ainda contava com Joe Duplantier (Gojira) no baixo; Com João Gordo no projeto intitulado C.T.I.

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De cima para baixo: Com o irmão, Igor; Ensaiando com o pessoal do Killer Be Killed

Não foi por acaso que o Sepultura se destacou do contexto da qual fazia parte: Som vigoroso, potente e original, sua música contribuiu para a exportação do Heavy Metal brasileiro: Criando, ousando, inspirando e direcionando futuramente a sonoridade de inúmeras bandas (principalmente o que viria a ser conhecido como nu metal, por exemplo). Foi fundamental sua contribuição:

 “[…] Eles tinham ótimos riffs, uma bateria muito pesada e intensa, e essas características unidas eram notáveis. Acho que desde então, Max influenciou muitas e muitas bandas, e vários grupos da atual cena Metal devem uma gratidão enorme a ele. Tenho total respeito por Max e suas bandas, inclusive o Soulfly. Tiro o meu chapéu a ele.” Ratifica Kelly Shaefer (Atheist e Neurotica)

 Por tudo isso nossos sinceros agradecimentos – todos os brasileiros headbangers – ao maior nome do Heavy Metal brasileiro.

Capa de sua autobiografia My Bloody Roots; Com Ozzy Osbourne

Capa de sua autobiografia My Bloody Roots(à esquerda); Com Ozzy Osbourne (à direita)

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