Dia dos namorados: Os casais e ex-casais do mundo do rock parte 2

Josh Home e Brody Dalle:

 Dona de uma voz forte, Brody Dalle desde cedo teve contato com rock; sua vida um pouco conturbada (problemas com a mãe), fez se identificar, e muito, com o punk rock, principalmente com suas letras fortes e raivosas.  Tornou-se conhecida como vocalista e guitarrista da banda de punk rock The Distillers, que teve seu fim anunciado no final de 2005. 

 Seu relacionamento com Josh Home, vocalista do Queens of the Stone Age,  teve inicio em 2003; e dele nasceu,  Camille Homme, em 2006, e Orrin Ryder Homme, em 2011. 

 

A primogênita já ganhou uma bateria dos pais; e Brody, como toda mãe coruja, fala sobre a filha: “Ela gosta de cantar no estúdio e já escreveu sua primeira canção, chamada Star Star Star”. Filha de peixe…

Brody Dalle formou uma nova banda a  Spinnerette, e tem planos para lançar um disco solo.

 

 

Janis Joplin e Serguei:

Serguei, roqueiro brasileiro, teve este nome  herdado da infância, pois  um amigo russo  não sabia pronunciar Sérgio, seu nome de registro, lhe chamando então de “Sergei”.  Pode não ser um rostinho tão lembrado assim no cenário do rock nacional, mas faz parte da sua história, principalmente da década de 1970. Serguei é uma caixinha de surpresas, e que tem muitas histórias para contar isso ele tem…

Serguei Bustamante em plena ditadura militar gritou publicamente para um Brasil calado e com fomento de voz um “viva à liberdade e ao rock”. 

Janis Joplin e Serguei tiveram um affaire quando a cantora visitava o Brasil na década de 1970, onde veio passar o carnaval; Janis e Serguei teriam tido uma linda noite de amor em praias cariocas, porém com um detalhe, o namorado dela compartilhava também este mesmo ambiente, digamos… Exótico para a função que estavam (como posso dizer…) exercendo.

“[…] Eu caminhava pela calçada em frente ao Copacabana Palace – naquela época a gente podia andar na Avenida Atlântica sem ser assaltado – quando vejo um casal bem diferente: um loiro alto, bonito, interessante e uma mulher com turbante e saia cigana. Puta que pariu! ‘Janis!’, gritei, e logo nos beijamos na boca.” Diz Serguei.

Janis fez um tour pela cidade do Rio de Janeiro, onde ela cantou em um show de Serguei, na boate New Holliday, no Porão 73 do Leme (era um lugar considerado meio “sinistro” na época já que era frequentado por prostitutas, marinheiro…), e assistiram juntos ao show da cantora Darlene Glória

Sua aventura no Rio de Janeiro pelo jeito foi bem agitada, e olha que ela ainda foi expulsa do Copacabana Palace (por nadar nua na piscina), quase foi presa em uma praia (por fazer topless) e foi barrada na entrada do New Holiday; Serguei lembra: “Então ela soltou a voz [no New Holiday] e cantou ‘Ball and chain’. Meu Deus (Serguei emociona-se, chora)… O canto dela era sublime! A boate toda se levantou. Alcione gritou desvairada. Tony Tornado, que também se apresentava ali, tremia todo, sem camisa[…]” ; e o dono da boate que a tinha barrado disse: “’Puta que pariu! Como fui barrar essa maluca?” diz ele à revista Trip.

 

Segundo relato do amigo de Janis, o fotógrafo  Rick Ferreira (que lhe deu abrigo quando foi expulsa do Copacabana Palace, pois todos os hotéis da cidade estavam lotados), ela, na época, não era uma figura conhecida pelos brasileiros. “[…] Fui apresentando a Janis para o Jerry, porque o cara era da Jovem Guarda e não sabia nada de rock’n’roll. E ele veio: “Janis, quais foram as suas impressões do Carnaval carioca?” Ele nem sabia quem era. Nem a Globo, nem a Veja, nem ninguém […]”.

 Mas, segundo Serguei, o encontro no Rio não teria sido o primeiro; eles teriam se conhecido dois anos antes, em um festival de rock na cidade de Long Island, em San Francisco, lugar onde fora morar aos doze anos com a avó materna, e na qual teria convivido um mês com Janis; O próprio teria presenciado nesse período o relacionamento de Janis com Jimi Hendrix.” […] Um dia, ela estava fazendo suco e bateram na porta. Fui ver, era um black power esquisito. Pode abrir, ela falou. Foi assim que conheci o Jimi Hendrix. Sei que eles começaram a discutir muito, depois se beijaram – era um outro estilo de vida, tá me entendendo? […]”. Afirma Serguei.

Em entrevista ao portal G1, Serguei explica como conheceu Janis: “Fomos apresentados por um amigo chamado Aldir Oliveira. Não percebi que era ela de primeira, foi ele que me avisou. Ela estava com aquele cabelão de hippie, enorme. Ela tinha um jeito de interior. Até hoje esse tipo de gente me fascina. Ela tinha um sorriso assim, meio sem graça […]”. 

Serguei em entrevista à Whiplash, diz acreditar que Janis Joplin foi vítima da CIA. “[…] Foi assassinada pela CIA porque ela exercia um grande poder sobre a juventude americana. Colocaram sonífero em sua bebida e depois aplicaram uma overdose de heroína. Antes de a droga ser aplicada, ela foi asfixiada”. 

O dia dos namorados se aproxima, guarde a frase dita por Serguei: “Tem de olhar as pessoas nos olhos. Um aperto de mão, um olhar, uma frase, um sorriso e pronto, as pessoas estão se amando […]”. E tenha dito!

Serguei está na ativa até hoje, com sua banda Pandemonium, perguntado sobre esta disposição, já que apagou no último ano 78 velinhas, ele diz: “Para me manter jovem eu como muita gente. Fui o primeiro brasileiro a assumir a bissexualidade”.

 Conheça Serguei: Nesta entrevista ele fala sobre sua paixão pelo rock

 

 

Rita Lee e Roberto de Carvalho:

Não é a toa que lhe chamam de Rainha do rock nacional; Rita foi a cantora que mais vendeu discos na história da música brasileira. Uma mulher “arretada” (na adolescência pulava a janela do quarto para tocar bateria em festas da escola) como ela, tinha que encontrar um parceiro a sua altura, e ela encontrou. Rita e Roberto de Carvalho dividem há 36 anos o coração e o mesmo amor ao rock, e desde então, Roberto acompanha Rita em todos os seus shows, e tornou-se seu parceiro de longa data em suas composições. 

Em entrevista à revista contigo (1978), Rita fala sobre o amor dos dois:” Nosso amor nasceu da bronca que um tinha pelo outro”. Vocês vão entender…

 Os dois não se apaixonaram de primeira não… Na verdade, como no ditado popular, o santo deles não se batiam; mas a história começa a mudar, e a responsável pela mudança é nada menos que Bandido Corazón, música que Rita compôs para Ney Matogrosso; impressionada com o arranjo da música, foi cumprimentar o responsável, e para sua surpresa era ninguém menos  que Roberto de Carvalho. O engraçado é que se encontraram algum tempo depois, e quando Rita (bem sem graça) elogiou sua meia vermelha, ele simplesmente tirou-a, e disse “é sua!”. Pronto! Apaixonaram-se, foram dividir o mesmo teto, e tiveram Beto, João e Antônio.  Beto Lee, inclusive, já tocou em sua banda. Isso que é uma família unida pelo rock and roll.

 

 

Dia dos namorados: Os casais e ex-casais do mundo do rock parte 1 AQUI

Anúncios

Heavy metal: Uma religião

Por Marcella Matos.

O heavy metal não é apenas um estilo musical, muitos diriam que é a essência da própria vida, uma ponte entre o real e o imaginário, uma verdadeira religião, cultuada por milhões de adeptos, quem é fã sabe que não exagero, e em respeito a eles, e em homenagem a um dos estilos mais deturpados e rotulados pela sociedade e afins; senhoras e senhores uma salva de palmas, pois entra em cena personagens que deram muito o que falar, principalmente na década de 1980; pois o que seria do criador (heavy metal) sem sua criatura (headbangers)? 

Suas origens remontam do fim da década de 1960 e início da década de 1970, e suas raízes são bem claras para os adeptos, tendo o heavy metal bebido da fonte do blues sul-americano e da música clássica de  Richard Wagner, músico que revolucionou a música, incorporando na orquestra instrumentos até então nunca visto antes, pelo menos num concerto de música clássica. 

 

E há um questionamento clássico que divide opiniões de muitos fãs do heavy metal sobre qual foi a banda que primeiramente bebeu dessa fonte, e deglutiu o estilo mais odiado e amado de todos os tempos. Em depoimento ao documentário Metal: A viagem de um headbanger, músicos e produtores dão suas opiniões: “Blue Cheer”, diz Geddy Lee, do Rush; mais outros nomes são citados, como Led Zeppelin, Deep Purple… Mas parece unânime (ou quase) quando apontam para o Black Sabbath, mais especificamente Tony Iommi, como responsável pelo surgimento do heavy metal.

 

O heavy metal em 1986 se torna o estilo musical mais popular do mundo (e o glam rock foi responsável por colocar o heavy metal no topo), de acordo com o documentário Metal: A viagem de um headbanger, dirigido por Sam Dunn, amante incondicional do estilo; ele, antropólogo, resolve estudar a cultura que mais lhe interessa desde os doze anos de idade, o heavy metal.

 

 

 

Geralmente boa crítica e grande público não andam juntos, Jorge amado é um bom exemplo disso, as duas coisas não caminham lado a lado, não tem como você ser bem visto pela crítica e  ser amado pelo público ao mesmo tempo, e com o heavy metal não seria diferente; um artigo americano já chamou o heavy metal de um estilo doente, repressivo, horrível e perigoso.

Com certeza você já deve ter visto esta etiqueta de advertência:

Pois bem, ele surgiu a partir da denúncia de que o heavy metal seria um estilo de muito mau gosto, promíscuo, obscuro… Enfim, tais acusações deram origem as tais etiquetas.

O documentário traz ricas informações a respeito desse fenômeno de horror e medo que o heavy metal causava nos pais: “Dee Snider [vocalista do Twisted Sister] nos anos 80 era considerado o cara mais perigoso do planeta”. Mas como? Vamos aos fatos.

O CPRM (Centro de Pais de Recursos Musicais) divulgou uma lista na qual eram citados quinze artistas e bandas: “Os 15 obscenos”, na qual suas respectivas músicas eram consideradas obscenas. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, até Dee Snider foi convocado para testemunhar frente ao congresso. Segundo Snider: “Diziam que Under the Blade tratava sobre sadomasoquismo, quando tratava sobre operação de garganta do nosso guitarrista”. 

 

Das quinze músicas listadas, oito eram de bandas de heavy metal: Judas Priest (Eat me Alive); Mötley Crüe (Bastard); W.A.S.P (Animal) Fuck Like a Beast); Def Leppard (High’n Dry); Twisted Sister (Were not Gonna Take It); AC/DC (Let me Put my Love Into You); Black Sabbath (Trashed) e (Venom). 

Muitas bandas de heavy metal eram consideradas satânicas (e muitas eram condenadas por isso), mas na verdade foram as próprias bandas as responsáveis por tal difusão, já que alimentavam este imaginário popular a partir das letras das músicas, discursos, performances no palco, capa de discos… As bandas utilizavam deste recurso para impactar e chocar a sociedade, fazê-la prestar atenção no novo e pesado jeito de ser fazer rock, para se tornarem populares, ganhar mais espaço comercial, enfim; no depoimento de Gavin Baddley: “O heavy metal, desde seu início, foi associado ao satanismo e entretanto a canção Black Sabbath falava de satã como algo a temer[…] No entanto os fãs queriam uma banda satânica, e as pressões comerciais impulsionaram o Black Sabbath a explorar esta espécie de conexão entre eles e as imagens diabólicas[…]”. Diz no documentário Metal: A viagem de um headbanger.

 

Uma parte interessante do documentário foi quando Dunn perguntou a Tom Araya, líder do Slayer, que por sinal é católico! Sobre o título do oitavo disco do Slayer, God Hates Us All, que traduzindo em português seria “Deus Odeia a Todos Nós”, ele respondeu: “Deus não nos odeia. Mas é um grande título. Quando escolhemos o título do álbum, pensei: Maldição! Este é mesmo do caralho! Creio que incomodará as pessoas”.   


 

Deena Weinstein,  escritor, diz que o som, o timbre e o volume são poderosos elementos-chave do metal. Nas palavras de Dickie Peterson, vocalista do Blue Cheer: “Tudo o que sabíamos é que queríamos mais força”. Muitas bandas posteriores à década de 1970, foram incorporando ao heavy metal mais velocidade, agilidade, vocais mais vigorosos, entre outras características que lhe deram outras roupagens.

O heavy metal é um estilo musical tão rico, e bebeu de tantas fontes do rock e afins, que inevitavelmente apresenta inúmeros subgêneros, cada qual, de acordo com suas influências, apresenta características próprias. “As primeiras bandas de METAL [Black Sabbath, Led Zepellin, Jimi Hendrix, Cream, Blue Cheer, MC5, Mountain, The Stooges…] junto ao HARD ROCK [AC/DC, Testament, Blue Öyster Cult], SHOCK ROCK [Kiss, W.A.S.P., Alice Cooper, Arthur Brown] e PUNK [ The Clash, Ramones, Sex Pistols] deram origem a um monte de subgêneros […]”. Diz Sam Dunn.

PRIMEIRAS BANDAS DE METAL

HARD ROCK

SHOCK ROCK

PUNK

 Os Subgêneros são muitos: power Metal (Iron Maiden e Motörhead), metal Progresivo (Rush e Dream Theater), glam metal (Cinderella e Skid Row), pop metal (Europe e Lita Ford), stoner metal (Clandemass), hardcore (D.O.A. e Bad Brains), thrash metal (Metallica e Sepultura), black metal(Venom e Mercyful Fate), black metal norueguês (Gorgoroth e Satyricon), grindcore (Repulsion e Brutal Truth), death metal (Cannibal Corpse e Deicide), death metal sueco (Arch Enemy e SoilWork), metalcore (Machine Head e Suicidal Tendencies ), grunge (Mudhoney e Melvins), metal gótico (Type O Negative e Therion), metal industrial (Marilyn Manson e Godflesh), hard alternative (Faith no More e Smashing Punpkins), nu metal (Slipknot e System of a Down), metal americano (Lamb of God e Chimaira)…UFA! 

O heavy metal venceu muitas batalhas, se consagrou como um dos estilos mais cultuados do mundo, tem festivais e fãs espalhados pelo mundo todo, mas até hoje não é visto com bons olhos por boa parte da população, o por quê, Sam Dunn responde: “ É que o metal confronta o que preferimos ignorar, celebra o que muitas vezes renegamos, e é indulgente com aquilo que mais tememos. E é por isso que o metal sempre será uma cultura de marginalizados […] Se o metal não te provoca essa envolvente sensação de poder, e não faz com que se arrepiem os cabelos da nuca, talvez nunca compreenda. E sabe o que mais? Tá tudo ok. Porque a julgar pelos 40.000 metalheads que me rodeiam [ele participava do Festival de Wacken Open Air, na Alemanha, considerado a meca da cultura do heavy metal] estamos bastante bem sem você”.

Amém!


%d blogueiros gostam disto: