Dia dos namorados: Os casais e ex-casais do mundo do rock

Por Marcella Matos

O dia dos namorados está chegando e a Taverna do rock presta uma humilde homenagem a data, mostrando alguns casais famosos do mundo do rock. Por trás da cara e da pose de mal do roqueiro, acredite, há um enorme coração, e uma inteligência de admirar, seja pela proeza de transformar angústias, protestos, lamentações, sofrimento… E claro,  também  o amor, em música.

 

Jack e Meg White:

Muito se especulava sobre o duo White Stripes: “Serão Meg e Jack White casados ou irmãos?” O próprio Jack confundia a cabeça dos fãs, já que em shows chamava Meg White de Irmã. De acordo com Jack, eles esconderam que eram casados, pois “queria que as pessoas se ligassem mais na música do que no relacionamento dos integrantes”. Eles foram casados durante quatro anos (entre 1996 e 2000) e o sobrenome White, está na certidão de Meg, mas como foram casados…

O engraçado é que foi uma jornalista que descobriu, no ano de 2003, que os dois já tinham sido casados.

Jack White acaba de lançar um disco solo, intitulado Blunderbuss, no qual ele flerta o rock com diversos gêneros musicais, mas o álbum tem uma faixa em especial, Hip (Eponimous) Poor Boy, e segundo a revista Rolling Stone, a letra trata de ninguém menos  do que Meg White, preste atenção na letra: “let the stripes unfurl”(deixe os stripes se dissolver), e em outra estrofe: “and I’ll  using your name”(e usarei o seu nome); perguntado sobre a letra, Jack responde que não foi escrita para sua ex-companheira de palco, e sim para os músicos (Hip) que vendem autenticidade e realidade, mas que tiram proveito disso.

 

Indagado sobre uma possível volta do White Stripes, ele responde à Rolling Stone: “Duvido muito que o White Stripes faça um show novamente. Talvez fosse um exercício de nostalgia e não acredito que isso venha acontecer”. Eles se conheceram num restaurante de Detroit, no qual Meg trabalhava como garçonete. 

Courtney Love e Kurt Cobain:

Courtney Love é vocalista e guitarrista da banda Hole, foi considerada pela Revista Rolling Stone como a mulher mais polêmica do mundo do rock. Love já foi vocalista, por curto período, do Faith no More, lançou em 1991 o primeiro álbum, Pretty on the Inside, como vocalista do Hole, logo depois começou um relacionamento com Kurt Cobain, líder do Nirvana. Casou-se com ele, grávida de seu primeira filha, Francis, em 24 de fevereiro de 1992, em Honolulu, Havaí.

Não tem como falar do casal sem citar as muitas especulações que correm, principalmente entre os fãs, sobre a suspeita relação de Courtney com a morte de Cobain, que teria planejado o assassinato depois de Kurt pedir o divórcio (e consequentemente a tiraria do testamento).   Como digo, são somente teorias e suposições, que foram geradas diante de evidências que supostamente mostravam que a cena do crime foi alterada, que a quantidade de heroína consumida pelo cantor o teria deixado incapacitado de puxar o gatilho, que a arma usada no suicídio não tinha impressões digitais… Entre muitas outras. Mas, enfim, são apenas histórias… Foi produzido o documentário Kurt & Courtney, de 1998, inspirado no livro Who Killed Kurt?(cujo autor foi o próprio pai de Courtney Love), que analisava o relacionamento do casal e as suspeitas sobre o envolvimento de Love na morte de Kurt. 

No programa/documentário Behind The Music, Courtney desabafa: “É muito difícil aguentar quando todo mundo está apontando para você e te julgando, e foi exatamente isso que aconteceu quando ele morreu, a morte dele não foi minha culpa. Isso realmente ofendeu meus sentimentos, foi horrível. Eu precisei de muito tempo pra me readaptar e esse processo foi traumatizante. Eu não pedi para ser odiada”.

Courtney Love já disse em entrevista que até hoje dorme com os pijamas de Kurt, e que sua ligação com ele é forte demais. Muitas músicas cantadas por Courtney falam sobre Kurt ou da sua relação com ele, como Doll Parts, Playing Your Song, Mono, Pacific Coast Highway e outras.

 

MÚSICA INÉDITA CANTADA POR KURT COBAIN E COURTNEY LOVE

 

Shaun Morgan e Amy Lee

Ao longo de 2004 uma música não parava de tocar nas tardes da MTV, e que inclusive fez parte da trilha sonora do filme O Justiceiro, era Broken, música do disco Disclaimer II (Seether), composta e interpretada por Amy Lee e Seether. 

Sobre o cenário do clipe de Broken, Morgan disse: “Nós simplesmente caminhamos numa devastação. Tinha muita história. Nos sentimos um pouco mal estando lá, porque tinham alguns brinquedos de crianças jogados por ali; tinha definitivamente uma família ali. Parecia que o lugar foi isolado bem rápido. Ainda havia cartas de baralho na mesa de um trailer. Pareceu como se algo tivesse acontecido enquanto as pessoas estavam ainda lá. Nós não sabemos se alguém morreu, ou quantas pessoas morreram. Todos nós sentimos uma má energia do lugar, mas foi bom estar lá porque meio que combina com a música em algum ponto.” 

Amy e Shaun Morgan, vocalista do Seether, namoraram por dois anos, de 2003 a 2005, e o relacionamento terminou devido aos problemas de Morgan com o álcool; Amy, no disco The Open Door, de 2006, compôs para ele Call Me When You’re Sober; Morgan, em entrevista na época, disse que se sentiu traído pela ex-companheira, e que os dois tiveram um bom relacionamento. 

 

As palavras de Amy sobre a música: “É bem óbvio sobre quem é. Eu sei que as pessoas vão ler através das linhas e perceber que é sobre o meu ex-namorado Shaun Morgan, mas eu quis ser completamente franca […].” O relacionamento acabou, mas de certa forma foi eternizado pela música, principalmente para os fãs; eis o poder da música. 

BROKEN  LIVE

 

Dia dos namorados: Os casais e ex-casais do mundo do rock parte 2 AQUI



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Brasília: Cenário em que o rock ressurge das cinzas

Por Marcella Matos

Com vinte anos de atraso o rock se consagra, finalmente, em terras ‘brasilis’; falo da década de 80, pois, se por um lado o período ainda carregava o peso dos anos anteriores (já que o rock da década de 70, no Brasil, andava meio desmorecido devido ao estouro (e popularidade) de gêneros musicais, como a dance music/discoteca e MPB, que dominava todo o cenário musical da época (e era o que se ouvia constantemente nas rádios e demais espaços); por outro, já se antevia um panorama mais leve, em decorrência do espaço maior de liberdade política, que acarretaria, mais à frente, no fim da ditadura militar. Inúmeras bandas surgiram nessa época, mais precisamente no finalzinho da década de 70, e o embrião do fenômeno (do estouro de bandas de rock) foi Brasília… De lá surgiram grupos que consagraram de vez o rock no Brasil. Mas lembrando que o cenário do rock em Brasília surgiu ainda na década de 60, com bandas como Os Primitivos, Os Reges e Os Infernais. O cenário só viria a se solidificar na década de 80. 

 

As moças e os rapazes de Brasília desfrutavam de uma vida, digamos, de bonanças e regalias, pois a grande maioria eram filhos de professores, desembargadores e diplomatas muito bem-sucedidos); viagens para fora do Brasil eram constantes (principalmente a países onde o Rock efervescia, como a Inglaterra e os Estados Unidos), e de lá traziam os melhores discos de rock, punk e punk rock da época; beberam diretamente da fonte que viriam, logicamente, a influenciá-los.  

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Legião Urbana: Um dos grandes expoentes do rock nacional

A ‘turma da colina’, como eram conhecidos, formariam mais à frente bandas como o Aborto Elétrico, Plebe RudeFusão, 5ª Coluna e XXX; estes jovens se encontravam nas colinas (conjunto de prédios habitacionais, próximo à UnB), onde ‘trocavam figurinhas’ acerca do estilo musical que fervilhava lá fora…

O embrião responsável pelo estouro da cena musical em Brasília, e pelo surgimento de bandas como Legião Urbana e Capital Inicial, foi o Aborto Elétrico, que contava, em sua formação inicial, com Renato Russo (baixo), André Pretorius (guitarra) e Fê Lemos (bateria). Após o sucesso do primeiro show, que correu de boca em boca, a banda conquistou notoriedade e centenas de fãs, que por sua vez formariam bandas também… Iria surgir, desta forma, um cenário musical intenso, caloroso e vigoroso em Brasília.

 Um tempinho depois o Aborto Elétrico encerra suas atividades… Das cinzas do Aborto surgiu o Capital Inicial (com Dinho Ouro Preto como vocalista, que por sinal imitava Renato Russo quando jovem). Em entrevista a Revista Rolling Stone, ele disse: “Sabia que ele [Renato Russo] era melhor do que eu e que nunca seria como ele”. E enquanto isso a Legião Urbana se formava. 

Renato Russo, em um breve período do início dos anos 80, seguiu carreira solo; ele se apresentava sob a alcunha “O trovador solitário”). Algumas músicas do Aborto Elétrico foram divididas entre as duas bandas (Capital Inicial e Legião Urbana); outras foram simplesmente engavetadas… Até o momento em que o Capital Inicial gravou o MTV Especial: Aborto Elétrico, no qual interpretam canções inéditas da extinta banda, como Baader-Meinhof Blues nº1, Construção CivilAnúncio de RefrigerantesLove Song OneHeroínaBenzinaSubmissaHelicópteros no CéuDespertar dos Mortos.

 

 

Em 2012 a Legião Urbana comemorou trinta anos de formação e, entre uma comemoração e outra, dois shows foram realizados ( 29/05 e 30/05); os demais integrantes da banda convidaram o ator Wagner Moura (vocalista da banda Sua Mãe) para ocupar a posição de vocalista da Legião; Wagner cantou juntamente com Marcelo Bonfá, Dado Villa-Lobos e a plateia; o show, transmitido pela MTV, contou com a presença de sete mil pessoas.  Segundo o ator, a noite do show foi a mais emocionante de sua vida. Bonfá e Villa-Lobos enfatizam que tudo não passa de uma homenagem, e que Renato Russo é insubstituível.

 “O rock de Brasília é, sem dúvida nenhuma, um dos maiores acontecimentos da cultura brasileira dos anos 80, e Renato Russo é a expressão maior desse movimento. Assim como o mundo não seria o que é se não fosse Shakespeare, minha geração não seria o que é hoje se não fosse a Legião Urbana”, Disse Wagner Moura.

Muitas bandas que fazem parte da história do rock nacional, cuja importância é imensurável para o cenário atual,  saíram de Brasília: Cássia Eller, Paralamas do Sucesso, Raimundos, Móveis Coloniais de Acaju… Perante a importância de Brasília para o desenvolvimento do rock nacional, já foram lançados muitos materiais sobre o tema. Enfatizo o livro O diário da turma 1976 – 1986: a história do rock de Brasília, escrito por Paulo Marchetti e o documentário Rock Brasília – Era de Ouro, cuja direção focou a cargo de Vladimir Carvalho. 

 

 

O rock de Brasília representou toda uma geração e, sem dúvida, seus bons frutos foram colhidos ao longo dos anos… Afinal de contas o Brasil passaria por graves crises, anos mais tarde, no qual jovens famintos por liberdade e insatisfeitos com os rumos tomados pelo país (e pela falta de ética na política) tomariam as ruas.. Basta ligarmos o rádio para comprovarmos o quão longe a Legião Urbana chegou, pois não há um domingo que não toque uma música da banda, uma notícia de corrupção que não nos faça lembrar  Que País é esse? ; sua  música é atemporal e permanecerá para sempre em nossas memórias. 

 

LETRA DE FAROESTE CABOCLO:

E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem
Ia perder a viagem mas João foi lhe salvar:
Dizia ele – Estou indo pra Brasília
Nesse país lugar melhor não há
Tô precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar

O João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto central…

 

MODO DE VIDA DOS JOVENS DE BRASÍLIA:

PRESTE ATENÇÃO NA LETRA DO VÍDEO: O DIA A DIA DA TURMA DA BRASÍLIA

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