Felinos: Capas de clássicos do Rock e Heavy Metal estampado pelos bichanos

A artista norte-americana  Alfra Martini, amante de gatos e colecionadora de pôsteres antigos, utilizando as ferramentas do Photoshop criou uma arte muito inusitada ao inserir gatos em capas de discos clássicos (substituindo os artistas pelos ditos cujos peludos). O resultado do projeto intitulado como Kitten Covers  é bem interessante…

Por Marcella Matos.

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THE STOOGES (1969)

Considerado um dos discos mais influentes para o gênero que se fortaleceria anos mais tarde (Punk e o Punk Rock), The Stooges (1969) é um álbum cru, direto e sem firulas; ao mesmo tempo que toda essa “simplicidade” é acompanhada por uma grandeza harmônica e excelência musical; sabe aquela expressão do menos ser mais? Se enquadra magistralmente no caso dos The Stooges. A mixagem do disco foi realizada pelo próprio Iggy Pop, após a gravadora ter recusado a original feita pelo então produtor da banda.  A mixagem é um processo importante, executado após a gravação; implica no “balanço final entre tudo o que foi gravado, estabelecendo os níveis de volume (planos) de cada instrumento na música, ou seja, todos os instrumentos que foram gravados em canais separados, serão integrados para formar a música da forma que ela será ouvida”, diz o site Alvo Virtual. A sonoridade de um álbum é muito influenciada por tal processo; daí a importância da banda saber exatamente o que quer (em quesito sonoro).

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HIGHWAY TO HELL – AC/DC

Lenda do Hard Rock, a banda fundada pelos irmãos Angus e Malcom Young emergiu da Austrália para o mundo “carregando na bagagem” um  rock enérgico e muito peculiar para a época. Highway to Hell (1979) foi o último disco gravado com os vocais do espirituoso Bon Scoot, que viria a  falecer após o lançamento do álbum em decorrência de uma fatalidade (embriagado e desacordado, Scott sufocou com a próprio vômito). Uma curiosidade sobre a banda é que antes de se tornar o vocalista, Bon Scoot trabalhava como motorista da van do AC/DC. Repleta de obras-primas musicais, o álbum é muito cultuado e lembrado até os dias atuais, não soando “datado” e contendo arranjos que são (ou foram) fonte de inspiração para diversas bandas.  

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LIVE THROUGH THIS – HOLE

Considerado o melhor disco do Hole, Live Through This foi lançado em abril de 1994 (mesma época da morte de Kurt Cobain, marido da vocalista Courtney  Love); possui um direcionamento musical distinto do álbum anterior,  numa combinação de potência e boas melodias que lhe rendeu críticas positivas e uma base respeitável de fãs. Contém faixas emblemáticas como Violet, Miss World, Asking for It (Kurt participa da faixa como vocal de apoio). Destaque para a faixa Doll Parts, que possui emoção e densidade bem marcantes.  

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NEW YORK DOLLS (1973)

Não subestime esses quatro rapazes “uniformizados” de bonecas andrógenas (com direito a maquiagem, roupas e afins), pois no contexto em que todos se encontravam,  em meados dos anos 1970, não existia nada mais provocador, contestador e subversivo que a tal atitude Glam Rock (bastante corajosa numa sociedade extremamente conservadora). Precursores do Punk, estilo que invadiria  com toda força as ruas de Nova York e os bairros da longínqua Londres; O New York Dolls não foram tão populares como as Ramones, entretanto merecem reconhecimento e a devida  importância para o direcionamento que o então emergente Punk tomaria mais à frente. Disco respeitável e bastante agressivo (principalmente os vocais), a performance de New York Dolls (1973) pode ser facilmente reconhecida e encontrada em outras bandas do gênero. Destaque para a faixa Personality Crisis cujas referências citadas acima podem ser conferidas.

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RIDE THE LIGHTNING – METALLICA

Grande referência mundial, o Metallica simultaneamente com outras bandas da chamada Bay Area (Baía de São Francisco, no estado da Califórnia) deram início a uma nova vertente do metal, o Thrash Metal. Os jovens músicos bebiam da fonte de bandas como Iron Maiden, Diamond Head, Tygers of Pan Tang e outras bandas da chamada New Wave of British Heavy Metal – N.W.O.B.H.M. ( ou Nova Onda do Heavy Metal Britânico)  e mesclavam com o Punk Rock norte-americano; surgindo assim uma nova sonoridade extremante agressiva e mais veloz. A ideia era soar como os ídolos ingleses: “Eu só queria fazer uma nova NWOBHM, uma versão californiana daquilo”, conta Lars Ulrich, baterista do Metallica em entrevista à revista Rodie Crew. O Metallica foi a primeira banda da cena a ter visibilidade e contato com a mídia especializada, levando o Trash Metal aos quatro cantos do mundo. Ride the Lightning, em comparação com o debut Kill ‘Em All , possui um direcionamento musical mais cadenciado e um conjunto de letras mais reflexivas que abordam temas sobre a morte e as  perdas inerentes da vida. 

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ACE OF SPATES – MOTORHEAD

Clássico obrigatório para os fãs do trio inglês liderado pelo inconfundível Lemmy Kilmister, Ace of Spates foi lançado em meados dos 1980 após os excelentes Overkill(1979) e Bomber(1979). Após os músicos baterem cabeça com algumas gravadoras que não acreditavam no potencial da banda, pois consideravam o trabalho do grupo como “não comercial o suficiente”, Lemmy e companhia foram angariando ao longo da estrada um grupo respeitável de fãs que possibilitou ao Motorhead uma independência musical forte. A áurea que circunda em torno da banda é devido, em grande parte, a presença do carismático frontman, dono de uma voz e personalidade inconfundível, agregando à banda uma identidade que se confunde com a da própria pessoa Lemmy. Álbum transgressor, é marcado por grandes canções que ultrapassam as barreiras do Rock (o Motorhead não se considerava uma banda de Heavy Metal), flertando com outros gêneros que conduziriam a sua música para um patamar pesado e bastante coeso, tudo isso, claro, com os amplificadores no limite máximo.

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GREEN MIND – DINOSAUR JR.

 Banda formada em 1983, ganharia destaque ao longo dos anos por inovar a cena (independente) da qual fazia parte. Ainda na década de 1980, a banda lançaria dois excelentes discos que se tornariam clássicos da cena de rock independente. Influência para muitas bandas surgidas na década de 90, como Nivarna, Sonic Youth e Pixies, o Dinossaur Jr impactou o cenário underground norte-americano introduzindo em suas canções riffs, solos e muita distorção de guitarras numa cena até então mais voltada para uma sonoridade Hardcore/pós Punk. A banda pode ser considerada como a precursora do som Grunge, já que muitos elementos de suas músicas foram referência para bandas da cena Grunge. Com o passar dos anos o prestígio e número de fãs foi aumentando. As guitarras distorcidas do Dinosaur Jr é referência declarada de bandas como Sonic Youth. Após lançaram Green Mind a banda saiu em turnê, e quem abria as apresentações do grupo era ninguém menos que o Nirvana (a “parceria” foi fechada antes do sucesso do Nevermind). J Mascis, vocalista e guitarrista da banda, é tido como o cara por trás do Dinosaur Jr, pois é o único membro inicial da banda e o responsável pela identidade sonora do grupo.  Um fato curioso é que Mascis tocou todos os instrumentos do álbum Green Mind, ficando a responsabilidade da bateria a cargo de Emmett Murph mesmo. Outra característica que define bem o som da banda são os vocais “desleixados” de J. Mascis que casa muito bem com os belos solos de guitarra do cara.

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KISS (1974)

Até os grandes começam de baixo, e o Kiss é um exemplo perfeito para ilustrar tal ditado, afinal de contas o primeiro ensaio da banda tinha menos que seis pessoas! Para que a atenção fosse voltasse para eles, adotaram uma identidade visual bem sólida,  que por sinal seria sua inconfundível marca registrada. O álbum que ilustra esse post foi o primeiro gravado pelo Kiss, que na época passava por problemas financeiros, em que não tinham o devido suporte (investimento) para os shows – que não eram baratos. Para a foto de capa todos os integrantes fizeram a própria maquiagem, com exceção do baterista Peter Criss (é um pouco notável a diferença entre a maquiagem dos demais)… A inspiração para a sessão de fotos foi o segundo disco dos Beatles With the Beatles.

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O álbum não vendeu o esperado, entretanto foi o suficiente para que banda assinasse com a gravadora a longo prazo. Faixas como Strutter, Firehouse e Nothin’ To Lose são lembradas até os dias de hoje nas mega apresentações do grupo. Nessa época a banda ainda não tinha espaço dentro da programação das rádios, fato que impressiona o número respeitável de vendagens que atingiu o disco de estreia (ganharam inclusive disco de ouro).

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PARALLEL LINES – BLONDIE

Álbum de maior sucesso do Blondie, Parallel Lines foi o resultado de muita labuta em estúdio, pois o produtor Mike Chapman – como um perfeccionista nato – exigia incessantemente o melhor de todos os integrantes, resultando em divergências dentro do estúdio, pois exigia que todos os integrantes da banda repetissem o processo de gravação inúmeras vezes (era muito ego para pouco metro quadrado). A arte da capa é meio “caretinha ” se pensarmos que o Blondie é uma banda Pós-Punk/New Wave oriunda  da década de 1970/80, o que originou um descontentamento dentro da própria banda que considerava a capa não condizente com o estilo deles… Ironias à parte, o fato é que a imagem estampada em Parallel Lines se tornou um clássico. A sonoridade do disco é uma mistura equilibrada de um pop leve e dançante, riffs no estilo surf music, direcionamento underground e a fusão de variados estilos musicais (que se fortaleceria nos discos posteriores) resultando em um disco com variadas nuances sonoras. Faixas como One Way or AnotherHanging on the telefone, Heart of Glass (um flerte irônico com a Disco Music), dentre outras, foram responsáveis por tornar a banda um sucesso absoluto de público e de vendas ao redor do mundo.

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RAMONES (1976)

Músicos que estavam à frente do seu tempo – foram os pioneiros do Punk Rock -, transformavam a matéria bruta em um produto completamente não convencional, afinal de contas os Ramones possuíam referências musicais (esteticamente e sonoramente) bem distintas do som “cru” criado pela banda. Beatles, The Doors e Rolling Stones eram influências para o quarteto norte-americano que se mostrou sempre muito inovador, compondo músicas com melodias simples e diretas, sem a presença de técnicas de estúdio – muito comum naquele tempo. Até a vestimenta dos rapazes era novidade: Calça jeans surrada e jaqueta de couro, simplicidade que seria adotada e referenciada mais tarde. Ramones (1976) foi o primeiro disco da banda, sendo perceptível a inexperiência e falta de técnica dos rapazes, entretanto a singularidade das canções, o desenrolar das melodias ultra enérgicas e a abordagem de letras bem diretas, ou seja, o que raramente se ouvia na época, foi o suficiente para que as rádios norte-americanas não dessem o merecido reconhecimento ao disco, que, por sua vez, foi muito bem aceito no velho continente europeu. O disco é considerado como um dos mais importantes para a história do rock, pois influenciou uma gama de gêneros musicais como Heavy Metal, Hardcore, Thrash Metal, Hard Rock, Grunge… enfim. A foto  que estampa capa do disco foi tirada pela fotógrafa Roberta Bayley, e é considerada umas das mais belas capas de discos de todos os tempos.

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NOS PRÓXIMOS POSTS…

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É o amor… As musas que inspiraram grandes canções de rock:

Por Marcella Matos

Por trás de toda expressão artística há sempre uma inspiração, e o amor, claro, é uma delas. Fonte inesgotável de lampejos criativos, da qual bebem artistas das mais variadas vertentes, o amor rompe as barreiras do tempo, cravando suas raízes ao longo da história, afinal de contas, no decorrer dos séculos foram tantas as manifestações que a tiveram como inspiração que, sem dúvida, essa temática prova o quanto é imune às intempéries dos anos: Quer se trate de um poema, uma pintura ou uma canção de rock… Músicas interessantes foram escritas por compositores cujas experiências amorosas, contada nos versos, nos fazem refletir o quão facetado é o amor… Daria uma interessante livro, e foi o que de fato aconteceu: Músicas e Musas, livro de Michael Heatley e Frank Hopkinson, narra a história de cinquenta canções que tiveram musas como inspiração. Como junho é o mês dos namorados, listarei algumas musas eternizadas na história da música.

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 MÚSICA:  Sweetest Thing 

 BANDA: U2

MUSA:  Alison Hewson

Datas são realmente fáceis de serem esquecidas, mas quando esta data, em especial, é o aniversário de uma pessoa da qual você tem estima, o deslize é mais delicado… Foi o que aconteceu com Bono Vox, vocalista do U2. Bono esqueceu o aniversário de Alison Hewson, sua esposa, pois  trabalhava duro na gravação do álbum The Joshua Tree.

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Para se desculpar pelo acontecido,  Bono escreveu para ela a canção Sweetest Thing, cujo clipe é um (também) criativo pedido de desculpas. O clipe se passa sob a perspectiva de Alison, estando Bono à sua frente se esforçando ao máximo (para ser perdoado)… Paralelamente acontece (na rua, durante o percurso de Alison e Bono) mil e uma inusitadas situações.

 

 

 

MÚSICA: Marcella

BANDA: The Beach Boys

MUSA:  Marcella, a massagista

Nada melhor como uma boa massagem, não é mesmo? Relaxante, revigorante e desfadigante… Brian Wilson, líder e fundador dos Beach Boys, era adepto, até por demais, dessa atividade, gerando um clima de desconfiança na banda, já que regularmente citava um tal salão de massagens, localizado em West Hollywood… Suas visitas ao local tornaram-se cada vez mais frequentes; e uma tal Marcella, massagista no lugar, era assunto recorrente em suas conversas… Sobre a moça, Jack Rieley, um dos integrantes da banda, entrega:

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P.S. Não encontramos registro fotográfico da misteriosa Marcella

“A única coisa que eu conseguia pensar para acabar com a fixação de Brian era concentrá-lo em algo. Assim, fui eu quem sugeriu “Marcella” como o título para uma melodia que Brian estava trabalhando. Com a minha promessa de escrever a letra “Marcella”, ele saltou para o projeto com imenso entusiasmo”.

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A música, lançada no disco Carl and the Passions – So Tough (1972), de acordo com Brian Wilson foi uma tentativa de homenagear os Rolling Stones.

Brian Wilson é considerado um dos compositores mais criativos do século XX, responsável por popularizar, durante a década de 60, um estilo de vocal bem característico dos Beach Boys. A banda influenciou grandes nomes da música, como os Beatles, por exemplo. O disco Pet Sounds, lançado em 1966, deu início a um marco na história da música contemporânea: Apresentava uma sonoridade mais ousada, já que era composto por instrumentos nada convencionais, dispunha de efeitos sonoros diversos, além dos elaborados arranjos vocais já citados… Enfim, todas essas inovações contribuíram para um som rico e original, bastante singular para a música da época. George Martin, famoso produtor dos Beatles, já disse em entrevista o quão influente Pet Sounds foi para a banda: “Sem Pet Sounds, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Disco clássico dos Beatles) não teria acontecido… Pepper’s foi uma tentativa de igualar Pet Sounds”.

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MÚSICA: “Somenthing” e “Layla”

BANDA: ‘Beatles’ e “Derek and the Dominos (Eric Clapton)”

MUSA: Patti Boyd

  O nome Pattie Boyd pode até passar despercebido… Entretanto não se pode dizer o mesmo das duas canções que lhe foram dedicadas; inesquecíveis obras primas na carreira dos dois amigos músicos. Pode parecer um pouco piegas, mas Pattie Boyd, George Harrisson e Eric Clapton foram protagonistas do triângulo amoroso mais famoso da história da música, já que ambos os guitarristas eram amigos e parceiros musicais de longa data…

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   Pattie e George se conheceram durante as filmagens do primeiro filme dos Beatles, A Hard Day’s Night (1964). A modelo foi casada com George Harrison por longos dez anos… Que lhe escreveu a canção Something.

Após se separar de Harrison, Patti Boyd assumiu romance com Clapton… Razão que abalou a amizade dos dois. Eric já afirmou em entrevista que sua paixão por Patti foi à primeira vista… Estando George Harrisson ainda casado com ela. De acordo com Patty, as infidelidades do marido, juntamente com os abusos de drogas, contribuíram para a separação do casal. 

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Eric Clapton, à frente da banda Derek and the Dominos, lançou o disco  Layla and Other Assorted Love Songs (1970), no qual declarou seu amor por Pattie (ainda casada com Harrison). Sobre Layla, o crítico da Rolling Stone escreveu: ‘Há poucos momentos no repertório das gravações de rock&roll onde um cantor ou compositor foi tão fundo dentro de si mesmo, que o feito de escutar a canção é semelhante a testemunhar um assassinato ou um suicídio. Layla é o maior deles’.

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Entrevistada pelo Jornal britânico Dail Maill, Pattie descreve a noite em que Eric Clapton declarou o seu amor:

“[…] Eric Clapton me pediu para ir escutar uma nova música que havia escrito. Ele ligou o gravador, aumentou o volume e tocou para mim a música mais poderosa e tocante que eu já havia escutado. Era “Layla”, sobre um homem que se apaixona perdidamente por uma mulher que o ama, mas não está disponível. Ele tocou para mim duas ou três vezes, olhando meu rosto a todo momento para ver minha reação. […] Meu primeiro pensamento foi: ‘Oh Deus, todo mundo vai saber que é pra mim'[…]”

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Eric Clapton e George Harrison

Pattie não cedeu às investidas de Clapton: “Eu me sentia desconfortável por ele estar me empurrando em uma direção que eu não estava certa se queria ir”. De coração partido, Clapton deu início a um exílio musical (regado a muito consumo de drogas) que duraria três longos anos… Ao mesmo tempo a crise no casamento de Pattie e George Harrison adentrava num labirinto sem saída, após o guitarrista traí-la com a esposa de seu parceiro de banda, Ringo Star. Com o término do casamento, Eric e  sua “Layla” assumiram compromisso… Se casaram em 1979, nove anos após o lançamento do disco dedicado à amada. 

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“Ao perceber que eu havia inspirado tanta paixão e criatividade, a música tirou o melhor de mim. Eu não pude mais resistir… A mais criativa, talentosa e interessante pessoa que já havia conhecido.” Relata Pattie.

 

 

MÚSICA: All Star

BANDA: Cássia Eller e Nando Reis

MUSA: Cássia Eller

Já diz o velho e sábio ditado popular que amigos são a família que escolhemos… Construir laços de amizades sinceras é importante para se ter uma boa qualidade de vida, afinal de contas estarmos acompanhado por pessoas que nos façam sentir mais leves, e o mais importante, que nos ame pelo que somos, é essencial para alcançarmos um patamar de serenidade só possível com interações dessa simplicidade.

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Gravada originalmente  na voz de Nando Reis, All star é sobre a relação de amizade de Nando e Cássia, cuja parceria musical contribuiu para o fortalecimento da amizade dos dois: “Fiz essa música sob o forte impacto do estreitamento de nossa amizade, durante o período que antecedeu ao convite que ela me fez para que trabalhássemos juntos” lembra o cantor em entrevista à folha de São Paulo.

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Cássia Eller usava frequentemente um All Star azul, que ela carinhosamente chamava de tênis “baiaba”… Nando ganhara o dele ainda jovem; um presente de sua mãe, já que o músico vira o vocalista do Jethro Tull, Ian Anderson, no disco Living in the Past, com um All Star preto e de cano alto… O tênis que permanecera guardado por anos foi “desaposentado” por Nando Reis, que usou-o na frente da amiga: “E, assim, o tênis virou uma espécie de símbolo na nossa relação complementar. Foi a partir dessa metáfora que escrevi a música”. Relembra Nando.

No início do vídeo, Cássia fala sobre a origem da música

Cássia morava no décimo segundo andar, em Laranjeiras, bairro do Rio de Janeiro, onde Nando frequentemente a visitava: “Lá passávamos a madrugada conversando, tocando violão. Foi na esteira desses dias que ela me fez o convite para produzir seu disco”. Era o início de uma parceria musical que se estenderia muito além.

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MÚSICA: See Emily Play

BANDA: Pink Floyd

MUSA: Emily Young

Syd Barrett era um músico à frente de seu tempo, suas ideias inovadoras contribuíram para o que mais tarde seria conhecido por rock psicodélico, expressão artística e gênero musical, cuja liberdade de criação era a “força motriz” para ilimitadas possibilidades em estúdio.

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Estando à frente do Pink Floyd, foi o responsável pelas principais ideias da banda, trazendo “conceitos” inovadores. Barrett era um guitarrista muito habilidoso e virtuoso… Foi um dos primeiros músicos a explorar totalmente as capacidades sonoras de distorção.

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Enquanto membro da banda, Syd Barrett compunha a maior parte das músicas do Pink Floyd. Dono de uma escrita única, suas canções são ladeadas por um certo mistério…  “See Emily Play” é de sua autoria: Música doce, “lunática” e inocente sobre uma jovem e jogadora Emily… Como compôs num período em que fazia uso constante de drogas, principalmente LSD, cujo excesso viria a comprometer sua saúde física e mental, não se sabia ao certo a veracidade sobre a origem da música… Numa entrevista dada para divulgar a canção, Barrett disse que “See Emily Play” nasceu após o uso do alucinógeno (enquanto repousava num belo jardim), vindo em seguida a adormecer… Uma menina lhe apareceu,  era Emily… Posteriormente ele desmentiu a história, dizendo que a tinha inventado para promover a canção.

De acordo com Saucerful of Secrets: The Pink Floyd Odyssey, primeira  biografia completa da banda, escrita por Nicholas Schaffner, a música foi inspirada em Emily Young, filha de Wayland Hilton Young, nobre inglês, cujas visitas ao clube UFO, local onde o Pink Floyd ia jogar, eram frequentes. Emily constantemente acompanhava o pai nessas visitas ao lugar; foi apelidada de “a estudante psicodélica”. Nos dias atuais Emily leva uma vida simples no Reino Unido, cujo trabalho como escultora é estimado. Indagada sobre a canção, ela diz: “É muito presunçoso para eu dizer… Mas sinto-me honrada, é uma canção maravilhosa. Não me encontrei com ele (Syd Barrett) muito bem.. Apenas o suficiente para dizer um “olá” ou pedir um “cigarro”.

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“See Emily Play”, abriu caminho para o sucesso do Pink Floyd, liderado pelo espirituoso e brilhante, Syd Barrett.

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MÚSICA: SWEET CHILD O’ MINE

BANDA: GUNS N’ROSES

MUSA: ERIN EVERLY

 Chegar ao topo não é algo fácil. Por mais árduo que seja o caminho, e por mais preparado que o “combatente” esteja: Munido de coragem, esforço, talento, e tantos outros predicados possíveis de se caber numa “armadura”, no final das contas respirar o ar puro das alturas e sentir o gosto da vitória é para poucos… O Guns N’Roses, logo no disco de estreia, Appetite For Destruction (1987), mostrou a que veio: Hard Rock enérgico,  original e sem firulas…. 

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…Sweet Child O’ Mine, primeiro grande sucesso da banda, surgiu ao acaso, sem pretensão de ser materializada, já que Slash dedilhava, o que mais tarde seria, a introdução de Sweet Child O’ Mine, juntamente com Duff Mckagan e Izzy Stradlin que tocavam os acordes por trás. Axl Rose, atento, ouvia tudo do outro cômodo da casa… E, ao mesmo tempo, compunha os versos de Sweet Child O’ Mine, inspirado em sua “Doce Criança”, Erin Everly. 

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Extravagante como é, claro que Axl Rose não limitaria sua história de amor em apenas um ato… Sua “odisseia amorosa” seria contada numa trilogia de clipes: Don’t Cry, November Rain e Estranged. As letras das músicas foram inspiradas no conto “Without You”, escrito por Del James, amigo de Axl. O conto narra a história do roqueiro Mayne, personagem inspirado na vida de Axl Rose.

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[…] “Para mim, o conto “Without you” ajudou a focalizar o que poderia acontecer em minha vida e, muitas vezes, o que aconteceu. Apesar de Del (amigo e autor do conto) ter se inspirado em situações pelas quais eu estava passando na época, esse foi o jeito que ele encontrou de me ajudar a admitir e enfrentar uma situação dolorosa. Isso, talvez, tenha me impedido de ir longe demais algumas vezes” [..] Desabafa Axl Rose

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Axl, em entrevista (traduzida pelo site Whiplash.net), conta que no vídeo de Don’t Cry há cenas que foram baseadas no seu relacionamento real com Erin Everly: 

“No videoclipe de Don´t Cry há uma cena em que apareço brigando com a Stephanie (Seymour, namorada de Axl na época) portando uma arma. Isso aconteceu de verdade na vida real, comigo e Erin (Everly, ex-esposa de Axl). Eu ia me matar. Nós brigamos pela arma até que eu finalmente deixasse Erin pegá-la de mim. Antes de gravar, eu disse: “Isso parece bem difícil, pois realmente aconteceu. […] Fazer essa cena foi um processo bastante doloroso.”

O tumultuado relacionamento do casal serviu de lampejo criativo para o desenrolar da trilogia, cujas cenas são envoltas em mistério e metáforas, na qual os fãs criaram possíveis teorias que explicam as simbologias presentes nos clipes, como o golfinho presente em Estranged, por exemplo, que significaria o “renascimento espiritual” de Axl,  ou seja,  a superação dos obstáculos presente nos clipes anteriores.  

O conto de fadas dos pombinhos não durou muito… Devido aos excessos cometidos pelo músico, sua infidelidade constante e as turbulentas discussões, Erin e Axl se divorciaram após nove meses de união (Detalhe: Quando tinham apenas um mês de casados, Axl chegou a pedir divórcio de Erin, mas se arrependeu e voltou atrás).

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Parafraseando o Burro (do Shrek): “Casamento de gente famosa não dura…”

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 PARA QUE O POST NÃO FICASSE EXTREMAMENTE LONGO, RESOLVEMOS DIVIDIR O TEXTO EM DUAS PARTES… EM BREVE MAIS MUSAS QUE INSPIRARAM GRANDES CANÇÕES DE ROCK PARTE 2

 

 

 

 

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